Análise de Dados para Ajudar a Diminuir a Evasão Fiscal e Prevenir a Fraude

FraudeA detecção e prevenção da fraude é cada vez mais imprescindível para as entidades governamentais. Alerta de anomalias, detecção de padrões, relacionamentos (suspeitos) entre personagens (cidadãos, empresas e entidades) são algumas das medidas utilizadas para atenuar as perdas e, com isso, aumentar as receitas.

Por muitas iniciativas de fiscalização e por mais legislação que se crie, o crime económico e a fraude ainda existem. Existe e os criminosos são cada vez mais audaciosos e sabem como encobrir os seus crimes. Normalmente tudo começa com a descoberta de um “buraco” na legislação e, a pouco e pouco, tornam-se mais “corajosos” e a arriscar mais, enganando e surripiando maiores somas de dinheiro.

Hoje mais do que nunca a prevenção da fraude e a utilização de ferramentas analíticas de detecção são uma necessidade. Já não se trata de um luxo, mas sim de algo imprescindível para a sobrevivência de empresas e governos.

Deborah Pianko, Government Fraud Dolutions Archistect, no SAS Security Intelligence Pratice, chama a atenção para um outro ponto. A impossibilidade de as entidades governamentais terem, por um lado, uma visão global do problema, e, por outro, conseguirem ataca-lo de todas as frentes. A especialista dá um exemplo: As entidades tendem a estar focadas em temas mais quentes como a verificação de identidade e na protecção dos ficheiros. Com isso muitas vezes “desleixam” outros tipos de fraude que ocorrem “debaixo dos seus narizes”. É o caso da fraude interna.

A especialista dá como exemplo o caso de uma gestora, a trabalhar para as Finanças que conseguiu, durante 15 anos, desviar grandes quantidades de dinheiro, sem nunca ter sido descoberta. Por incrível que pareça o caso só foi descoberto porque um funcionário de um banco percebeu que havia algo de suspeito com um cheque de reembolso que foi depositado.

Este caso ocorreu porque a entidade não tinha os mecanismos de controlo e prevenção de fraude implementados. A prova surgiu anos mais tarde, quando outro funcionário tentou fazer algo semelhante, os relatórios automatizados forneceram pistas valiosas não só para a detecção da anomalia, mas também para a sua solução.

Para Deborah Pianko estas situações ocorrem porque as Finanças enfrentam três “buracos negros” na sua actividade de detecção e prevenção da fraude.

  • Não têm noção do “Big Picture”. Ou seja, as entidades estão tão ocupadas a tratar de questões como o roubo ou verificação da identidade que se esquecem de analisar e verificar as actividades dos seus próprios funcionários. Será que algum deles está a ajudar um amigo/familiar? Ou a roubar o reembolso fiscal?
  • Relatórios fracos. É impossível tomar decisões sobre uma situações que não se conhecem. Isso só se resolve com uma aposta em relatórios estatísticos e analíticos. A solução passa por disponibilizar ferramentas que permitam que os investigadores criem os seus próprios relatórios, que actuem rapidamente aquando de um alerta, que consigam investigar com maior profundidade e visualizar padrões de anomalias.
  • Utilização de Análise de Dados. Hoje as organizações utilizam sistemas fiscais integrados. Estes são óptimos para o processamento de reembolsos automáticos e para a gestão de casos de auditoria. No entanto, mesmo os que têm o “modulo Fraude” tendem a ter uma capacidade analítica limitada.

É por isso que é tão importante que as entidades governamentais (nomeadamente as fiscais) utilizem ferramentas analíticas juntamente como a modelagem preditiva para conseguir identificar casos suspeitos, tendo por base padrões de casos comprovados de fraude. A detecção de anomalias é essencial e é considerada como uma primeira defesa. No entanto isso exige que o investigador saiba o que pretende. Ou, pelo menos, que conheça a fundo o negócio de forma a detectar algo anormal. Uma outra funcionalidade é a análise das redes sociais que permite fazer a associações entre contribuintes, declarações fiscais, contabilistas e outros executivos.

Só através de análises profundas e relações de dados é possível detectar situações de fraude (ou potencial fraude). Um investimento que todas as entidades deveriam fazer. Mesmo porque os investimentos envolvidos são irrisórios tendo em conta os potenciais ganhos. A utilização conjunta dos sistemas permite uma detecção atempada, diminuindo as perdas e aumentando as receitas.

Para saber mais sobre este tema e como as entidades fiscais podem (e devem) utilizar as analíticas para atenuar/eliminar a evasão fiscal aconselhamos a leitura do whitepaper “Analytics to Fight Tax Fraud”.

 

Deixar uma resposta