A outra linha de defesa na batalha contra a fraude nos seguros

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Por David Hartley, Director of Insurance Solutions, SAS

A fraude nos seguros está a crescer de forma acelerada. De facto, as estatísticas publicadas na Holanda, em 2013, pelo Verbond Van Verzekeraars1 sugerem que aumentou 25% nos últimos cinco anos, somando 150 euros à apólice média.

Preocupadas com este crescimento muitas seguradoras estão a procurar formas de melhorar as suas defesas revendo os a sua gestão de sinistros e novos processos de negócio, ao mesmo tempo que investem em tecnologias avançadas para este fim.

A grande diversidade da fraude é um dos principais desafios que enfrentam. Os prevaricadores incluem a fraude oportunista, assim como fraude deliberada e membros de gangues organizados, que muitas vezes inventam sinistros ou encenam acidentes como forma de ganhar dinheiro.

Os maiores obstáculos que as seguradoras enfrentam, no combate a estes casos de fraude, residem nas falhas dos seus sistemas de deteção. Soluções próprias e dificuldades de integração de dados de fornecedores e entidades externas resultam em dados pouco fiáveis e incompletos. A atual visualização de dados raramente se estende para além de um único consumidor, pelo que é difícil obter o quadro completo do sinistro e detetar relações de alto risco.

Um recente inquérito a nível europeu, feito a seguradoras, e levado a cabo pelo SAS, revelou lacunas na forma como as companhias estão a combater a fraude. Apenas 13% dos inquiridos estão a fazer uso de um conjunto amplo de ferramentas, incluindo regras de negócio, técnicas de Business Analytics e analíticas avançadas. Outro dado: apenas 21 por cento monitoriza os níveis de fraude em tempo real.

Um dos principais problemas relacionados com as abordagens prevalecentes reside no grande volume de falsos positivos que estas criam. A excessiva dependência de uma abordagem de deteção de fraudes baseada em alertas vermelhos pode gerar um elevado volume de alertas, o que reduz as eficiências operacionais e incrementa os custos. Estas taxas elevadas podem igualmente afetar negativamente a experiência do consumidor. O processo de sinistro é a “janela” de qualquer seguradora e pelo que têm de evitar tratar os clientes inocentes como sendo burlões.

A segunda linha de defesa

Em termos de deteção, a primeira linha de defesa é, e deve continuar a ser, a própria subscrição por parte da companhia. Os sistemas analíticos não devem ser vistos como substitutos deste serviço, mas sim como uma linha adicional de defesa. Ajudando as equipas de peritos a identificar fraudes que de outra forma não conseguiriam detetar.

As abordagens existentes muitas vezes ficam aquém do esperado porque os investigadores olham os sinistros de forma isolada. Além disso, eles falham em avaliar o historial, em ver a rede de forma holística ou efetuar comparações com os seus pares. Muitas seguradoras usam sistemas focados na monitorização de transações, o que pode funcionar para alegações individuais de fraude. No entanto são menos eficazes na monitorização do comportamento do cliente através de múltiplas queixas e linhas de negócio, com o objetivo de identificar os consumidores que parecem normais “à superfície” mas que operam “por debaixo do radar”.

A última geração de soluções analíticas avançadas disponibiliza uma abordagem alternativa à deteção. Estas soluções normalmente começam por extrair os dados que existem na seguradora e depois, caso seja necessário, procedem à sua limpeza. E podem, de forma eficaz, conectar os dados de forma a disponibilizar uma visão holística de toda a organização.

Uma abordagem híbrida pode, então, ser aplicada, incorporando tudo, desde regras de negócio, a modelos de deteção de anomalias, a redes sociais e análise de texto ou de dados não estruturados, de forma a identificar casos potencialmente suspeitos. Estes podem então ser apresentados à Companhia para se iniciar uma investigação ou serem integrados num processo existente.

Esta abordagem baseada em processos analíticos avançados beneficia as seguradoras, encontrando mais casos de fraude e reduzindo a taxa de falsos positivos. No estudo recente do SAS, das seguradoras que usam business analytics, 57% viram o número de casos de fraude detetados a cada ano aumentar em mais de quatro por cento. Em contraste, das companhias sem soluções automatizadas ou que usam apenas regras de negócio, apenas 16% obtiveram um crescimento semelhante.

Essencial é o facto de a análise pode ser implementada sem interromper o processo existente para tratamento e gestão dos sinistros.

Olhar para o futuro

Esperamos que esta abordagem à fraude, baseada em processos analíticos avançados, continue a aumentar. As grandes seguradoras têm sido rápidas em adotar esta aproximação, mas o interesse das companhias de seguros de menor dimensão está a crescer. Se introduzirem e implementarem os processos de Advanced Analytics terão benefícios significativos. Como mostram os resultados da pesquisa.

O simplificar, investir numa abordagem analítica híbrida, fazer uso das múltiplas técnicas de análise e combinar os resultados, permite que uma seguradora resolva, de forma proactiva, o problema e, em última análise, detete e previna mais casos de fraude.

Hoje as seguradoras não devem aceitar a fraude como um custo de fazer negócio. Em vez disso, devem procurar formas mais eficientes de detetar, prevenir e gerir as reclamações de fraude, em todas as suas linhas de negócio.

 

David Hartley 2MLeia mais sobre como pode aproveitar as vantagens desta abordagem.

1 fonte: http://www.rtlnieuws.nl/nieuws/binnenland/ verzekeraars-sporen-steeds-vaker-fraude-op

David Hartley, Director of Insurance Solutions, SAS

One thought on “A outra linha de defesa na batalha contra a fraude nos seguros

  1. ótimo artigo, Para mudar esse cenário, a tecnologia pode ser uma forte aliada, principalmente na prevenção de fraudes, pois auxilia nos serviços de vistoria do veículo, ou até mesmo para agilizar o processo de aviso de sinistro, funcionando como auditor das documentações que o segurado deve enviar. Confira cinco iniciativas para ajudar as seguradoras a minimizarem irregularidades no seguro auto:

    1. Invista em análise de dados

    Atualmente, algumas seguradoras contam apenas com o diagnóstico de empresas terceirizadas de vistoria para realizar as análises ligadas à aceitação do seguro ou ao procedimento do sinistro – e precisam arcar com possíveis inconsistências nas informações recebidas. Por isso, é fundamental, que essas empresas entendam como as fraudes ocorrem e como evitá-las ao longo de todo o ciclo de vida do seguro automotivo. A partir de um mapeamento completo, é possível desenvolver estratégias mais eficientes com o objetivo de “tapar os pontos cegos” que existem no processo de vistoria prévia ou de constatação.

    2. Use a transformação digital a seu favor

    O uso inteligente de dispositivos móveis pode ser muito útil na redução dos riscos das seguradoras, a partir da geração de informações do cliente e do veículo segurado, a fim de limitar cada vez mais a possibilidade de fraude. As seguradoras podem, para isso, utilizar aplicações mobile com diferentes tecnologias, como geolocalização, aceleração e captura de imagens/vídeos para garantir a melhor conferência dos dados no momento de um evento durante a vigência da apólice.

    3. Modernize processos que envolvam terceiros

    Para agilizar os processos de contratação e regulação de sinistro, as seguradoras podem modernizar as formas de interação junto aos fornecedores contratados com as facilidades tecnológicas, como aplicações mobile para o envio das informações do cliente após a vistoria, funcionalidade para controle da agenda de vistorias e transmissão em tempo real das informações para a seguradora, garantindo que não haja perdas de comprovantes e documentos. Com iniciativas deste tipo, a companhia ganha mais segurança na relação com o prestador de serviço e ainda possibilita que mais atendimentos sejam realizados ao longo do dia.

    4. Combine processos atuais com ferramentas modernas

    As seguradoras contam com empresas especializadas em vistoria, que em sua grande maioria adota o modelo exclusivamente presencial e nem sempre consegue garantir que sejam detectados todos os problemas com o veículo inspecionado. Para empresas que pretendem automatizar esse processo, o caminho ideal é combinar os procedimentos e técnicas já estabelecidas com soluções de tecnologia que possam otimizar etapas e, assim, aprimorar o processo aos poucos.

    5. Invista em soluções tecnológicas

    Segundo a CNseg, atualmente 65% dos sistemas utilizados para a verificação de sinistros foram construídos internamente pelas áreas de tecnologia das seguradoras, o que resulta em possível sobrecarga da área que já é responsável por diversos processos internos. Para solucionar essa questão, já existem no mercado novas soluções criadas para automatizar o processo de vistoria.

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