Analíticas: o CSI ao serviço da banca

bancaQuando um banco é vítima de um crime financeiro têm perdas a dobrar. Não só da fraude em si, mas também pelas penalizações impostas pelas entidades reguladoras. E é por isso mesmo que é cada vez mais importante que a banca tenha unidades específicas de investigadores a trabalharem nesta matéria. Primeiro como medida preventiva e, caso o incidente ocorra, como forma de encontrar os criminosos e atenuar as perdas. Mais importante ainda. É uma forma de proteger a reputação da instituição.

Só para se ter uma ideia, um em cada cinco inquiridos (19%) pelo estudo “Combating Financial Crime: The Increasing Importance of Financial Crimes Intelligence Units in Banking”, que entrevistou 120 bancos, revelaram que foram multados, nos últimos três anos, pelas Autoridades ou pelo Regulador. Sendo que destes 22% tiveram de pagar multas superiores a mil milhões de dólares.

Um dos grandes problemas do cibercrime, nomeadamente o financeiro, reside na evolução das comunicações e no facto de não assentar em barreiras físicas. Pode ser praticado em qualquer parte do mundo. O que, por um lado, facilita o seu crescimento e, por outro, dificulta o trabalho das autoridades e dos bancos no sentido de limitar as suas acções/prejuízos. Hoje o cibercrime é, segundo o estudo, uma das industrias mais sofisticas e em desenvolvimento com grupos altamente organizados a praticar actos como o branqueamento de capitais, fraude e financiamento de associações terroristas.

A única forma de os bancos (e restante sistema financeiro) se proteger é o de utilizar ferramentas analíticas e estar constantemente a analisar os seus dados, procurando anomalias e reportando as mesmas às autoridades competentes. E isto tem de ser feito já. As abordagens tradicionais (reactivas) de combate ao crime financeiro não se adequam a esta nova realidade. Hoje, mais do que nunca, os bancos têm de ser proactivos. E o primeiro passo assenta na criação de uma unidade de FCIU – financial crime Intelligence unit. Mas há algo extremamente importante a ter em conta. Esta unidade tem de estar incorporada na cultura da organização. Tem de trabalhar em conjunto com tudo e com todos. Não pode ser algo que trabalha de forma isolada.

Não é por acaso que 82% dos bancos inquiridos já estabeleceram (ou estão em vias de ) uma FCIU ou consideram-na uma prioridade corporativa (98%). Esta será a unidade que estará sempre vigilante, que assegura que a entidade cumpre todas as directivas e regulamentações exigidas, que gere o risco das operações e que está sempre atenta a anomalias. E depois há as sub-equipas que podem estar focalizadas em matérias específicas, como a fraude, a corrupção… tudo depende da estrutura da entidade (em quantos mercados está presente, o tipo de produtos financeiros que disponibiliza..) e da priorização definida para os possíveis crimes financeiros. Segundo o estudo a fraude é a principal preocupação quer para os bancos norte-americanos quer para os europeus, seguido de perto pelas preocupações com a regulamentação (o seu cumprimento).

Mas há um pequeno (grande) senão – aliás, dois. Não só há falhas na comunicação entre a banca e as autoridades/regulador como, sendo esta uma matéria relativamente recente, há pouco talento no mercado. Ou seja, há poucas pessoas com os conhecimentos necessários para conseguir estar à frente (ou pelo menos a par) dos cibercriminosos. Não só porque é preciso estar a par das ultimas inovações tecnológicas e ter uma mente analítica capaz de detectar o mínimo “buraco” na rede, mas também tem de ser capaz de perceber o mundo financeiro e ainda a legislação e regulamentação associada. Basicamente uma pessoa com conhecimentos analíticos (big data, análise de dados, visualização de dados…) mas também de negócio e criminal. Algo que não é fácil de achar. O que contraria tudo o que se tem feito até hoje, onde os bancos contratavam especialistas em determinada área.

Prevêem-se tempos difíceis, mas desafiantes para a banca. Mas muito (tudo) irá depender de uma mudança na mentalidade/cultura, de uma aposta em ferramentas tecnológicas adequadas (analíticas) e de uma maior aposta na formação.

Pode obter mais informação sobre esta matéria lendo o estudo “Combating Financial Crime: The Increasing Importance of Financial Crimes Intelligence Units in Banking”.

 

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