As empresas são como os adolescentes

A crise não deve ser dada como desculpa para as dificuldades das empresas. Essa é a opinião de Nadim Habib, diretor da Nova School of Business and Economics, que, quatro anos depois, regressou ao SAS Fórum Portugal 2018, e explica que “como gestores, temos a obrigação de dizer que temos mais oportunidades, porque, se estamos a sofrer (com a crise), o mesmo acontece com a nossa concorrência”.

Para o executivo vivemos num mundo que atravessa duas grandes mudanças. Por um lado, temos uma geração cada vez mais educada, mas, por outro, menos “obediente”. Que questiona, que quer mudar o status quo e vê o mundo de outra forma. Além disso, convém não esquecer a chamada quarta revolução.

Depois dos computadores, que mudaram a configuração do mercado, veio a internet e tudo ganhou velocidade. E o lema das empresas passou a ser “agilidade e rapidez”. Mas será que as empresas conseguem mesmo fazer isso? Para Nadim Habib a resposta é peremptória: NÃO.

“As empresas são como os adolescentes. Gostam de comprar tecnologia, mas depois não sabem o que fazer com ela”.

Isto porque são feitos investimentos, são dadas guidelines, mas depois quem contacta efectivamente com o cliente não tem, na grande maioria das vezes, autonomia para dar resposta às suas necessidades. E com isso perde-se toda a “agilidade” para responder às mudanças no mercado, às exigências do cliente e às acções da concorrência.

A solução passa por, em primeiro lugar, definir, com clareza, a estratégia, através de um plano construído com base num diagnóstico, passando-a depois para toda a organização, e dotando os colaboradores de autonomia para responder aos desafios quotidianos. “As ferramentas digitais, com clareza estratégica, permitem ter disciplina, e com isso, flexibilidade, necessária para responder ao cliente”, afirma Nadim. E dá como exemplo empresas como a IKEA. Uma empresa extremamente flexível e informal, com um bom atendimento ao cliente, mas que só o consegue porque todos conhecem a estratégia e sabem o que fazer (e até onde ir). Há uma disciplina inerente que se traduz, de forma prática, em flexibilidade.

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