Big Data + Analíticas = sustentabilidade e energia verde

energiaO sector da energia está em plena transformação. A volatilidade dos preços do petróleo, as convulsões políticas em países produtores e a crescente procura da energia renovável são apenas alguns dos factores que condicional e influenciam os fornecedores.

O Business Analytics conversou com Alyssa Farrell, especialista em energia e soluções sustentáveis, que não só explicou as mudanças que o sector está a atravessar mas também a importância e o impacto que novas tecnologias como o Big Data e as Analíticas estão a ter no negócio. Como é que podem promover uma maior eficiência energética e com isso fomentar a sustentabilidade.

Como vê a evolução do sector da energia nos últimos anos?

O sector da energia registou a entrada de novos operadores, muitas vezes competitivos, juntamente com muitas partes da cadeia de valor. Como resultado os relacionamentos com os consumidores são mais importantes do que nunca. Quer se trate de melhorar a fiabilidade ou a prestação de serviços personalizados de energia, hoje o executivo das utilities está focado em melhorar a experiência e a satisfação do cliente. E, para cumprir esta expectativa, as Utilities precisam de modernizar os sistemas internos, para conseguir novos conhecimentos sobre o consumidor, independentemente de qual o sistema operacional que criou os dados (relevantes).

Qual o impacto, neste mercado, de termos como Big Data e Internet das Coisas?

As Utilities tiveram o desafio do Big Data durante muitos anos mas solucionaram-no aumentando continuamente a dimensão dos seus sistemas operacionais. A Internet das Coisas está a juntar estes grandes sistemas operacionais com o IT (redes e software analítico). Para as Utilities isto pode levar ao aumento das capacidades “sentir e responder”, colocando a inteligência, em tempo real, nas mãos dos operadores de rede.

Como estão as empresas do sector a responder aos requerimentos regulatórios? 

Muitos reguladores têm insistido que os “contadores inteligentes” são essenciais para alcançar os objectivos nacionais de eficiência energética. Na verdade apesar dos contadores inteligentes darem às Utilities uma oportunidade de estabelecer programas de preços ajustados (se permitido nas tarifas) está provado ser muito, muito difícil mudar o comportamento do consumidor. Os clientes esperam um feedback mais dinâmico do seu fornecedor de energia, muitas vezes na forma de displays móveis ou in-home. Assim, à medida que as Utilities avançam com a implementação dos contadores inteligentes, têm optado por pensar mais além, de forma a disponibilizar ecrãs de interacção com o cliente. A parceira com entidades externas, especialistas em informação móvel, é outra alternativa.

Com mais e mais dados disponíveis para análise, sobre o sector da energia, como vê o futuro da tomada de decisão?

Ter mais dados é sempre bom… Mais dados significa um aumento da confiança na tomada de decisões porque há mais pontos de dados a usar quando criamos modelos preditivos. No nível executivo isso aumenta a confiança nas previsões da energia, no comércio de mercadorias e faz com que as decisões dos activos tenham um impacto directo na estrutura. Adicionalmente implica que tem mais dados para criar apresentações gráficas mais ricas/detalhadas, seja num mapa interactivo ou em gráficos de dispersão ou barras. Pelo que… venha daí.

O sector da energia tem feito investimentos avultados, com períodos de amortização entre 30 a 50 anos e um mercado com convulsões semi-anuais, algumas vezes por obrigações regulatórias ou por reacções ao mercado (por exemplo a crise do petróleo). Como é que as organizações têm respondido? Nomeadamente em temas como a gestão da condição, manutenção preventiva dos activos e gestão de activos baseada no risco?

Vemos o modelo de negócio das Utilities a afastar-se da forte dependência dos activos como uma forma de investimento. A volatilidade dos mercados claramente suporta um portfólio de combustível diversificado. E os analistas de mercado prevêm que o crescimento no sector das Utilities virá da monetização da relação com o consumidor. Todos estes factores estão a influenciar as decisões de investimento, muitas vezes procurando reduzir as operações a longo prazo e os custos de manutenção. Isto significa que o aproveitamento da análise predicativa é critico para a gestão do risco de insuficiência de activos e para o aumento do seu ciclo de vida.

Com o crescimento das preocupações ambientais e o desenvolvimento da energia alternativa (micro geração, eólica, solar, marinha) como vê o seu impacto na gestão das operações? Dado que existe uma incerteza sobre a sua capacidade produtiva?

A variabilidade da produção de recursos energéticos distribuídos, tais como a energia eólica e solar, definitivamente têm impacto na produção. A melhoria das previsões meteorológicas podem em muitos casos, permitir um melhor planeamento para quando trazer os recursos online. Isto facilitará a transição para dentro e fora da rede, quando o recurso está disponível. A solução final irá exigir avanços no armazenamento da energia, switches inteligentes, uma melhoria das capacidades analíticas, um aumento da redundância da produção de energia, com criação de picos derivados do gás natural. Haverão também, certamente, outras inovações que ainda não são comercialmente viáveis.

Hoje os consumidores têm um crescente mind-set em termos de eficiência energética e as companhias têm a capacidade para propor tarifas adequadas ao consumo dos clientes. Neste cenário como vê o paradigma “Empresa versus Cliente”?

Temos ouvido o termo “fornecedor de energia de confiança”. Penso que este é uma meta para muitas companhias. É um cenário win-win para ambas as partes, quer para o fornecedor como para o consumidor final, onde as metas das emissões são alcançadas e os custos de energia não aumentam em proporção com o total das despesas das famílias. Para atingir este objectivo de “confiança” os clientes podem ter de partilhar mais dados com o seu fornecedor. E as empresas devem partilhar os seus planos de longo prazo com os consumidores.

 

 

Alyssa FarrellAlyssa Farrell
Global Manager, Energy and Sustainability Solutions
SAS Worldwide Marketing
Alyssa Farrell leads global industry marketing for SAS’ business within the energy sector, including Utilities and Oil and Gas

 

 

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