Business Analytics 3 estrelas

Tenho dedicado os últimos 18 anos à investigação em sistemas de informação, à procura das melhores metodologias para a sua implementação e formas de os tornar numa peça essencial para a criação de conhecimento dentro das organizações. Mais recentemente o meu interesse por programas de culinária tem vindo a crescer, e confesso-me um fascinado por essa actividade, “ciência” ou “arte” de cozinhar e gerir uma cozinha. Deste binómio entre fascínio e experiência surgiu-me a ideia de estabelecer um paralelismo entre estas duas áreas e encontrar, de forma conceptual, uma partilha de conceitos metodológicos.

Comecei por relembrar quais os elementos que eram apresentados como fundamentais para garantir um restaurante de topo: alimentos de qualidade, utensílios eficazes, cozinheiros profissionais e uma oferta adequada para os requisitos dos clientes. Quando observava esta lista, estabeleci um paralelismo com aqueles que devem ser os elementos fundamentais de uma estratégia de Business Analytics (BA), e que devem orientar uma organização na procura para o desenvolvimento do seu conhecimento.

Se a base de qualquer bom restaurante é a qualidade dos alimentos utilizados na confecção das seus pratos, para o BA são os dados, e a sua qualidade, que está na base de todo o processo que leva à entrega do produto final. A atenção e o tempo despendidos para garantir esta qualidade é vital, sendo a sua falta em processos de geração de relatórios ou em modelação analítica a principal causa para muitos dos falhanços de implementações de BA.

Garantida a qualidade de alimentos / dados, é necessário ter os utensílios / ferramentas certas para os “trabalhar”. Destas exige-se facilidade na sua utilização, rigor e integridade no tratamento dos dados e na obtenção e apresentação dos resultados, e versatilidade para permitir retirar o máximo das fontes e das capacidades de quem está com elas a trabalhar.

O terceiro ponto que introduzi na minha análise, e talvez o mais sensível, centra-se nos recursos humanos e nas suas capacidades inatas e apreendidas para estas actividades. A verdade é que tanto numa cozinha como na área do BA as pessoas que são responsáveis pela produção de resultados têm de possuir um conjunto de competências que as levam a atingir a excelência. Se na área do BA existem competências em manipulação de dados, analíticas e em conceitos de negócio que podem ser apreendidas, existem outras que são inatas, que tal como num cozinheiro, o fazem procurar, testar ou descobrir novos “sabores”, conceitos e técnicas que no fim irão fazer toda a diferença.

Abordo agora o ponto fundamental para o sucesso de um restaurante ou de uma estratégia de BA. A simples combinação dos melhores alimentos / dados, utensílios /ferramentas e dos melhores profissionais não são garantia de sucesso sem uma visão forte e clara de quais os desejos / objectivos dos nossos clientes. Sendo eles os “consumidores” finais de todo o processo, devem ser eles também a razão principal deste. Isto implica que tanto quem define a estratégia bem como a implementa tenha sempre presente esse objectivo e a capacidade de ler essas necessidades, adequar-se a elas e manter um contacto constante que garanta uma célere e tranquila adequação a novos gostos /requisitos.

Finalizo convicto de que da mesma forma que um cozinheiro recebe reconhecimento pela qualidade da sua cozinha e restaurante, também os responsáveis e técnicos das áreas de BA deverão sentir orgulho por verem que as suas análises e resultados são reconhecidos como ponto vital no sucesso das estratégias globais das suas organizações.

 

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