Colmatar o fosso entre a análise do crime financeiro e a investigação

 

crime financeiroComo elaborar programas de prevenção da fraude tendo o processo de investigação em mente

As instituições financeiras usam cada vez mais os processos analíticos para gerir o volume e a complexidade dos crimes financeiros, bem como para responder em conformidade aos requisitos da regulação. No entanto, os desafios actuais, em toda a indústria, em conjunto com o aumento dos custos da conformidade, faz com que seja importante desenhar os modelos analíticos tendo em mente o processo de investigação. Se for feito de forma eficaz deve evitar os estrangulamentos operacionais e assegurar que o feedback recebido é rigorosos e com qualidade, o que irá permite uma modelação mais efectiva do risco referente ao crime financeiro.

Desenvolver análises para crimes financeiros

A aplicação e utilização de modelos analíticos para crimes financeiros é algo generalizado, e que vai da avaliação do risco e motores para a detecção, às ferramentas de investigação e reporte. Assim, permite que as instituições façam uma melhor quantificação e categorização da sua exposição ao risco, avaliem a eficácia dos seus programas de combate aos crimes financeiro, e com isso detectem e previnam mais comportamentos criminosos.

Ao contrário de noutros domínios analíticos da indústria dos serviços financeiros, tais como o crédito ou o risco de fraude, a modelação de risco de crime financeiro e o comportamento suspeito é, muitas vezes, dificultada pela falta de resultados categóricos. A eficácia destas análises é, portanto, intrinsecamente associada aos processos de diligência e investigação, que consomem, tratam e disseminam os resultados dos processos analíticos, normalmente referidos como alertas ou, mais amplamente, de inteligência.

Investigar como um consumidor analítico

Apesar dos ganhos de eficiência e do conhecimento disponibilizado pelas ferramentas analticas, a complexidade e a subtileza do crime financeiro levam a que a diligência e investigação manual continue a ser uma componente essencial do sistema de controlo do crime financeiro. As equipas de investigação são um dos principais “consumidores” das análises dentro dos programa de conformidade do crime financeiro, processando e respondendo a alertas originados pelos mecanismos de detecção e por outras formas de inteligência.

A eficácia e eficiência das investigações está fortemente dependente de:

  • A qualidade da informação e a análise disponibilizada à equipa de investigação
  • A disponibilidade de dados e informação adicional para avaliar os resultado dos processos analíticos, num contexto mais amplo e com maior profundidade
  • Acesso a infra-estruturas e ferramentas para recolha, análise e disseminação da informação, como parte do ciclo de vida da investigação.

Muito do esforço na implementação da análise do crime financeiro tem estado focado na modelação das tipologias e riscos conhecidos e na automatização dos aspectos do processo de decisão da investigação, tendo como objectivo a redução dos custos operacionais e a melhoria da consistência.

Embora os benefícios desta abordagem sejam evidentes, o excesso de confiança na automatização e na análise, sem a devida compreensão do ciclo de vida da investigação, tem o potencial de prejudicar o alcance do processo de investigação.

Impactos emergentes da análise ineficaz

Os investimentos em processos analíticos têm sido feitos, tipicamente, de forma reactiva, para acompanhar a regulamentação, o que significa que o uso de ferramentas analíticas tem sido, frequentemente, utilizado em domínios ou tipologias específicas, originando uma visão fragmentada do risco e dos métodos usados na instituição.

Este fenómeno resultou em sistemas complexos de armazenamento de dados e numa visão multifacetada do comportamento do consumidor com que os investigadores têm de trabalhar, elevando o custo de conformidade. Nos últimos anos a indústria tem reconhecido o risco do excesso de confiança em modelos individuais, criando uma necessidade de um modelo de validação e de uma visão mais holística do risco do crime financeiro. Isto resultou numa maior correlação da informação através das barreiras corporativas, como por exemplo entre as linhas de negócio, países, ou mesmo entre AML, fraude, sanções e silos de risco de suborno.

Apesar dos novos investimentos nas analíticas a indústria ainda enfrenta desafios significativos, incluindo:

Falhas no controlo de acompanhamento

  • As multas do regulador, impostas às instituições financeiras alcançaram, a nível mundial, os milhares de milhões de dólares
  • As instituições continuam a ser maioritariamente reactivas e muitas vezes analisam os riscos depois dos eventos
  • Os sistemas de monitorização das transacções produzem, regularmente, taxas de detecção de falsos-positivos em número elevado. Em alguns dos casos o valor chega a mais de 99% dos alertas.

Aumento dos custos de operação

  • O aumento do escrutínio regulamentar está a originar métodos mais conservadores
  • Fragmentação dos controlos está a afectar a rapidez da recuperação e do processo de informação

Aumento do Risco

  • Regras excessivamente simplistas e conservadoras estão a direccionar clientes de maior risco para o seu negócio

Consciência e conhecimentos limitados

  • Fraca qualidade dos dados, silos de informação e falta de infra-estruturas eficazes estão a afectar o nível de visibilidade e de conhecimento sobre os riscos e as ameaças.
  • Abordagens excessivamente simplistas estão a dificultar o desenvolvimento de competências
  • Consciencialização regulamentar mais pobre e compreensão das técnicas analíticas avançadas estão a criar barreiras adicionais

Colmatando a lacuna

As instituições necessitam de aplicar o poder analítico para que, no ambiente de hoje, o controlo do crime financeiro seja eficaz e eficiente em termos de custo. As melhores soluções são intuitivas e flexíveis e fornecem, aos investigadores, informação com contexto e alinhada às necessidades do negócio. Devem, também, gerir, eficazmente os dados e integrar ferramentas de investigação.

Uma estratégia abrangente e eficiente para recolha de dados em toda a organização deve ter em conta os requisitos de dados para soluções pontuais, suportar a investigação, análises estratégicas e gestão de dados para criar um repositório inteligente. Quer adopte uma abordagem de datamart, implemente métodos de acesso federados ou utilize tecnologia big data, a solução tem de disponibilizar um único ponto de acesso e uma visão holística da organização que possa suportar uma ampla gama de análises e cenários, para necessidades mais amplas de negócio e de conformidade.

A integração de ferramentas, em grandes organizações, tipicamente envolve a definição de uma estratégia tecnológica para a área de compliance. Uma integração eficaz pode melhorar, de forma drástica, a eficiência operacional e reduzir o tempo necessário para pesquisar, analisar e disseminar a informação.

Além disso, com um design intuitivo, as ferramentas de investigação podem conduzir a um maior conhecimento, o que permite aos investigadores desenvolver e testar hipóteses. Por exemplo, dependendo do tipo de investigação, do papel do investigador e da fase do processo de investigação, isto pode incluir integração do sistemas de gestão de casos com bases de dados “conheça o seu cliente”, ferramentas de visualização para análise do fluxo de transacções, aplicações de rastreamento online e dashboards para se conseguir um contexto e tendências mais amplas.

Investigações eficazes, de longo prazo, podem levar à melhoria na qualidade e amplitude da informação disponível, permitindo uma melhor modelação do risco e potenciar técnicas mais avançadas, que podem identificar de forma mais eficiente riscos do crime financeiro, tais como a análise comportamental de fraude ou outros riscos processuais.

No ambiente actual, para que o controlo do crime financeiro seja eficaz e eficiente em termos de custos, as instituições precisam de alavancar o poder dos seus dados e de modelos analíticos.

Patrick CraigPatrick Craig é um parceiro na Ey para a Europa, Médio Oriente, Índia e África, na área de Tecnologia Compliance para Serviços Financeiros. Ele é especialista na prestação de serviços de tecnologia de conformidade para as empresas de serviços financeiros e ocupou cargos importantes quer nos Estados Unidos como na Europa. É especialista em tecnologias e tendências de crime financeiro (branqueamento de capitais, sanções, fraude, anti-suborno e corrupção).

 

 

 

 

 

 

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