Combater a Fraude Aduaneira

Fraude aduaneiraUsar a tecnologia avançada para pensar de forma mais rápida que os fraudadores.

Por Jérôme Bryssinck, Director of Government Fraud Solutions, EMEA & AP at SA

Os oficiais aduaneiros têm um trabalho cada vez mais difícil na detecção de fraudes. Os recursos humanos não são suficientes, a complexidade dos direitos aduaneiros é elevada e o volume das fraudes está a aumentar.

Poucas pessoas sabem exactamente o número de ocorrências em termos de fraude aduaneira. A maioria concorda que é uma pequena, mas persistente, percentagem do mercado global de exportações. No entanto, uma pequena percentagem dos estimados 19.7 biliões de dólares gerados pelo comércio global de exportação ainda é um grande número. Desse total cerca de 6.9 biliões de bens serão exportados para a União Europeia. Esse volume de tráfego de mercadorias confere extrema pressão às autoridades aduaneiras encarregues de identificarem qual o camião a parar e o contentor a abrir. Sendo que têm de manter o comércio a fluir sem criar afunilamentos.

Podem ser feitos grandes lucros ao evitar o imposto ou importando bens ilegais. E as hipóteses de detecção são pequenas pelo que não é surpresa nenhuma isto ser um alvo para o crime organizado. Para identificar os criminosos as autoridades aduaneiras passaram da busca manual, e dependência das habilidades de investigação dos oficiais, para sistemas baseados em regras e pesquisas em bases de dados. No entanto estes sistemas estão agora sob pressão, à medida que os contrabandistas se tornam mais sofisticados e melhores em contornar os sistemas existentes.

Definindo o Desafio

Hoje os oficiais exigem informação sobre cada remessa, de forma a escrutinar a sua veracidade. Um especialista aduaneiro “olhará” para além do envio imediato e pesquisará por ligações identificadoras, como directores e casos conhecidos de fraude, assim como estará atento ao que foi declarado e até sobre o que representa um risco específico.

Fazer isto manualmente demora muito tempo. Para fazer uma completa gestão do risco as agências devem reunir dados de múltiplas fontes, incluindo o próprio negócio, outras agências aduaneiras e órgãos fiscais e até a polícia. Para agravar as suas dificuldades, os oficiais enfrentam problemas de mão-de-obra e ainda precisam de responder, rapidamente, às informações recebidas, muitas vezes, já “fora de prazo” ou atrasadas.

Tudo isto significa que os funcionários aduaneiros, muitas vezes, apenas podem verificar uma pequena percentagem de bens, pelo que devem, cuidadosamente, direccionar a sua abordagem.

Hoje, todas as agências, na melhor das hipóteses, estão apenas “armadas” com sistemas que automatizam os diferentes processos de gestão aduaneira que gerem. As soluções baseadas em regras de primeira geração muitas vezes não possuem as analíticas avançadas que são necessárias para optimizar as suas regras. Tipicamente geram grandes volumes de falsos positivos o que resulta num desperdício de tempo, redução da eficiência operacional, aumento dos custos, falta de confiança e, em última análise, atrofia do sistema. A juntar a isto, há falta de partilha de informação entre agências governamentais, devido a questões politicas e cultural, assim como preocupações sobre privacidade e segurança; más políticas e tecnologias inadequadas.

Mudar o Jogo

Felizmente está a emergir uma nova geração de soluções de gestão de risco, que oferece uma gama de vantagens operacionais superior às precedentes. Sistemas avançados de gestão de risco permitem que as agências classifiquem as transacções de importação e façam a gestão da informação associada, para criar tabelas de risco. Os escritórios de campo podem planear o trabalho dos técnicos no terreno para melhor responder às prioridades de risco.

Os novos sistemas podem igualmente disponibilizar interfaces gráficas que ajudam os funcionários da alfândega a compreender o porquê de deverem parar num lote específico. Também apontam os dados mais relevantes, para que os oficiais podem direccionar ou fazer as perguntas certas. Esta capacidade de visualizar dados resumidos permite que os investigadores agilizem as suas decisões.

Outro benefício importante é o facto de disponibilizarem auto-aprendizagem de analíticas híbridas avançadas, como forma de reduzir os falsos positivos. Com as taxas de falsos positivos minimizadas os técnicos alfandegários podem focalizar o seu tempo em encomendas fraudulenta em vez de alertas injustificáveis. Com isto tornam-se mais eficientes.

Por outro lado, outra característica crítica é a de que as últimas soluções podem “marcar” as importações e exportações em tempo real. Isto permite uma monitorização 24 horas/sete dias por semana e acelera o processo de detecção e de decisão.

A versatilidade da nova geração de soluções também se estende à criação, teste e implementação de novas regras de detecção. Ao contrário das soluções aduaneiras de primeira geração os sistemas mais recentes podem, rapidamente, avaliar o histórico de dados transaccionais de todos os padrões de risco; identificar novas regras, para mitigar esses riscos; e concluir o processo, em apenas alguns minutos.

Ao “abraçar” novas tecnologias “scale free”, os benefícios podem ser ampliados, ao permitir a interacção com outros sistemas de controlo de fronteiras ou o uso das mesmas soluções através de departamentos associados, tais como a alfândega e o fiscal. Isto facilita a partilha de dados e reduz o custo total de propriedade.

Olhar em frente

Os dias de projectos de gestão de fraude de vários milhões de dólares, criados de raiz, estão no fim. O custo da gestão e manutenção desses sistemas, que usam recursos internos caros, é, frequentemente, proibitivo. Cada vez mais os governos estão à procura de soluções pre-packaged, que oferecem menos riscos, custam menos e oferecem escalabilidade e garantia de manutenção no futuro. Tecnologias avançadas de gestão de risco são a solução ideal para os problemas reais e, longe de custarem muito dinheiro, facilmente justificam o investimento.

A abordagem automatizada que estas tecnologias oferecem à gestão de risco veio para ficar. Já estão operacionais e são rentáveis em alguns departamentos aduaneiros, a nível mundial. Cortam custos, aumentam as receitas alfandegárias e, talvez o mais crítico de tudo, levam mais fraudadores à justiça.

A fraude tem um peso “pesado” nos programas governamentais actuais. Para saber mais sobre como pode ter uma visão consolidada do risco de fraude aduaneira e como tomar uma atitude pro-activa, para evitar isto.

Jerome BryssinckJerome Bryssinck – Director de Soluções Governamentais, EMEA & AP – SAS

Jerome é responsável pelas áreas de Fraude e Crime Financeiro na EMEA e Ásia/Pacífico, no SAS. Trabalha com várias instituições governamentais de grande dimensão, na criação de mapas de soluções e estratégias de risco apropriadas, para combater a fraude e o crime financeiro no sector público. Entre os vários projectos em que esteve envolvido inclui a implementação de um sistema de detecção de fraude para o sistema fiscal belga (cobrindo vários domínios – por exemplo, IVA, fraude offshore, transferência de lucros). Jerome aconselha administrações fiscais e sociais do Reino Unido, Suécia, Espanha, Estados Unidos da América, Eslováquia, Hungria, Singapura e Bélgica. Tem um Mestrado em Engenharia de Negócios, pela Louvain School of Management.

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