Combater a fraude para reduzir o défice governamental

FraudeSabia que os estudos indicam que a fraude, desperdício e abuso representam cerca de 10% de toda a despesa governamental? Só para ter uma noção o Reino Unido perde, todos os anos, cerca de 21 mil milhões de libras devido a situações de fraude e pagamentos indevidos (cerca de 3% da despesa do governo britânico). No caso norte-americano os valores relativos aos pagamentos indevidos rondavam, em 2014, os 127 mil milhões de dólares tendo aumentado, num ano, 17%.

Um estudo levado a cabo pelo SAS indica que, nos últimos anos a natureza da fraude mudou. De forma radical. É certo que os governos levaram a cabo medidas para evitar o desperdício e aumentar a eficácia fiscal, nomeadamente através da massificação da utilização do e-governement. Acontece que os fraudadores também se “mexeram” e são cada vez mais activos. Hoje o criminoso não necessita de estar dentro das fronteiras do país onde comete a fraude.

Esta nova realidade obriga a que os governos tenham de estar cada vez mais atentos e empreguem programas não só com ferramentas diversas e complementares, como também que sejam multidisciplinares e interdepartamentais. E o problema não se restringe a um determinado sector da sociedade. Afecta a todos. Com dimensões que a maioria das pessoas não tem noção. Um exemplo? No ano passado 12,1% de todos os pagamentos de Medicare Fee-For-Service foram indevidos. O que segundo a US OMB representou mais de 43 mil milhões de dólares. Que poderiam ter sido utilizados de outra forma.

A solução para combater a fraude, desperdícios e pagamentos indivíduos (que contribuem de forma muito clara para o aumento da despesa governamental) passa por adoptar uma estratégia/abordagem corporativa. E isso faz-se eliminando os silos de informação existentes e disponibilizando a informação de uma forma holística e abrangente, fornecendo uma visão 360º sobre o mesmo tema/situação/cidadão.

A solução passa por pensar toda a estrutura governamental como se fosse uma empresa com vários departamentos. E criar uma base central e única onde se armazena e trabalha todos os dados, sendo estes acessíveis por todos os departamentos. Só desta forma se consegue assegurar a qualidade e actualização dos dados e, com isso, gerar informação (útil). Adicionalmente (e é isso que importa aqui) é possível correr programas de detecção e gestão do risco que analisam os dados, detectam possíveis anomalias e permitem que se actuem em tempo útil. Uma espécie de programa capaz de detectar padrões escondidos, expondo-os aos investigadores e dando-lhes a informação suficiente para poderem actuar, através da simulação de cenários e recorrendo, entre outras coisas, à correlação de dados e análise da rede social.

As vantagens na utilização deste tipo de abordagem são evidentes:

  • Visão holística da estrutura permitindo detectar, mais facilmente, situações de fraude, nomeadamente ameaças em larga escala
  • Detecção atempada e com maior precisão de fraudes – os investigadores têm acesso a mais e melhor informação
  • Criação de contramedidas eficazes
  • Operações mais eficazes o que permite poupar tempo (e evitar desperdício de dinheiro)
  • Alocação mais eficaz dos recursos existentes
  • Aumento da recuperação de fundos
  • Melhoria continua, através da utilização de modelos analíticos
  • Redução dos custos devido à existência de economias de escala

Parece fácil, certo? Na realidade não é. Não só pela dimensão da estrutura, mas também por existirem, normalmente, dificuldades técnicas. Uma delas prende-se com a migração de grandes volumes de dados e desambiguar entidades de forma a conseguir-se disponibilizar uma visão holística dos participantes (diga-se os vários departamentos) através dos programas e sistemas governamentais. A isto junta-se o facto de se ter de cumprir todo um conjunto de leis e regulamentações extremamente complexas. A questão da protecção dos dados é apenas uma delas.

O que não significa que não possa ser feito. Porque pode. Normalmente a opção passa pela adopção de soluções analíticas que permitem, de forma rápida, criar ligações entre os vários programas/sistemas existentes entre as várias organizações possibilitando a existência de uma única visão sobre o mesmo problema – diga-se o comportamento fraudador.

Os governos estão cada vez mais atentos a esta realidade. À necessidade de ter uma visão única da sua estrutura, dos cidadãos. Porque só assim a máquina fiscal consegue verdadeiramente actuar, prevenindo e actuando sobre situações de fraude, permitindo uma acção fiscal mais justa.

Mais sobre este estudo aqui, no white paper gratuito “Reducing Government Budget Deficits by Attacking Fraud, Waste and Abuse

 

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