Comunicações: optimizar a rede sem perder os clientes chave

ComunicaçõesMichael Pawlak é um dos especialistas do mundo das comunicações. Este norte-americano vai ser um dos oradores do SAS Fórum Portugal 2015, que se realiza, a 10 de Novembro em Lisboa. Em conversa com o Business Analytics Michael Pawlak não só revelou quais os actuais desafios do sector assim como as vantagens da utilização das ferramentas de análise em negócios tão específicos como as telecomunicações.

Quais considera serem os grandes desafios que as empresas de telecomunicações enfrentam actualmente?

A indústria das telecomunicações está a enfrentar muitos desafios, o que, na verdade, é muito normal. No entanto, os desafios de hoje (e no futuro próximo) estão em risco de se tornarem obsoletos. Nos últimos 15 – 20 anos o foco foi o de ter melhor qualidade das tecnologias (de 82G para 3G e depois para 4G, etc.), mais espectro e mais funcionalidades de produto. Apesar destes avanços tecnológicos, os princípios fundamentais da rede mantiveram-se (mais ou menos) os mesmos: assegurar a conectividade e atingir os objectivos de desempenho (59 segundos) e os SLA.

Agora as empresas de telecomunicações têm de se preocupar com empresas não tradicionais que disponibilizam capacidades de comunicações através de redes não tradicionais. Isto, combinado com as exigências da Internet of Things (IoT) está a exigir que as empresas de telecomunicações transformem, digitalmente, as suas redes.

As tecnologias disponíveis hoje em dia, tal como as Network Functions Virtualization (NFV) e a Software Defined Networks (SDN) apoiam esta transformação tendo funções tradicionais controladas por hardware e processando as mesmas através de software localizado na cloud. Esta transformação oferece muitas vantagens para as operadoras de telecomunicações, tal como a possibilidade de dar um maior apoio aos requisitos da Internet of Things (IoT), assim como o de preparar a rede para a conversão para o 5G.

Adicionalmente a transformação digital permite que as operadoras ofereçam, mais rápida e eficazmente, novos produtos e serviços que trarão novos fluxos de receita. Ao ultrapassar todos estes desafios as operadoras estarão numa melhor posição para competir com empresas como a Apple, a Microsoft, a Google ou outra companhia orientada ao serviço e que tenha um forte histórico de inovar e derrubar (por completo) outras indústrias.

Como é que as ferramentas analíticas podem ajudar a resolver estes desafios?

O SAS tem uma abordagem com a duas frentes para apoiar estes ambientes de rede com Analytics. Primeiro, e o que está a cativar o interesse dos executivos, é a nossa capacidade para desenvolver modelos de optimização como parte de um circuito fechado, com componentes de decisão baseado em políticas a apoiar estes elementos de rede, controlados virtualmente. O que isto significa? Bem…hoje em dia os engenheiros do Centro de Operações de Rede (Network Operations Center) tomam dezenas, senão centenas de decisões por dia relacionadas com a gestão da rede. O seu foco sempre tem sido o de alcançar o desempenho da rede – 59 segundos – e os SLA, mas nunca consideraram o impacto no cliente ou as consequências financeiras (para a empresa) destas decisões.

Nós temos a capacidade de integrar dados de sistemas de rede, sistemas OSS / BSS e financeiros e obter informações para tomar melhores decisões, que permitirão que a empresa registe melhores resultados. Um exemplo disto são as redes, que muitas vezes tem de lidar com questões de capacidade de largura e banda, dado que o consumo de dados varia tendo por base o tipo de dados consumido e o seu objectivo (por exemplo, o uso de e-mail em comparação com streaming de vídeo). Hoje as redes simplesmente transferem algum tráfego para outras redes que estão a registar menos volume, de forma a equilibrar as cargas de tráfego.

Mas e se o tráfego “inferior” incluir milhares de funcionários de uma mesma conta corporativa ou um cliente VIP? A transferência do tráfego pode ter impacto, a jusante, nas experiências desses utilizadores. O resultado final é que a equipa de rede atinge os seus requisitos em termos de SLA mas  a empresa, nomeadamente o CEO, é contactada pelos executivos da equipa corporativa ou pelos clientes VIP a reclamar da sua experiência. Quando o CEO confronta a equipa de rede esta refere que o seu desempenho cumpriu os objectivos e o CEO afasta-se, frustrado.

Acreditem ou não, este é um cenário real, que experimentei em primeira mão como gestor de operações de rede, quando trabalhei num grande operador norte-americano (Verizon Wireless). Recentemente conversei com vários líderes de rede, no Canadá e na EMEA e todos referiram este como um problema real que, ainda hoje, os frustra. A segunda área onde as nossas analíticas actuam e disponibilizam valor é no apoio às operações de rede, de hoje. Uma operadora de telecomunicações não precisa de esperar até digitalizar a sua infra-estrutura de redes para beneficiar das analíticas. Hoje podemos disponibilizar as mesmas informações colocando uma base de análise dentro do ambiente de rede da companhia. Além destes valores, podemos ajudar a optimizar o roadmap ou o fluxo que a empresa utiliza para transformar a sua rede.

As operadoras dizem ao SAS que têm um plano para transformar a sua rede e algumas já iniciaram esse processo, mas nenhuma identificou o plano ou caminho ideal tendo por base os dados de rede, financeiros ou de clientes. Analisaram apenas os dados da rede. Um exemplo disto é o facto de um executivo de rede poder decidir de forma diferente em relação a qual a geografia transformar primeiro se souber qual a região que detém a maioria das grandes contas corporativas ou de clientes VIP

Mesmo que outra geografia tenha equipamentos mais desactualizados, a região com os clientes corporativos representa mais receita, pelo que deverá estar no topo da lista. As operadoras de telecomunicações precisam do SAS para obter informações quer para optimizar as operações quer para o planeamento estratégico da transformação da rede.

Como vê o futuro das telecomunicações?

Vejo a transformação das telecomunicações tradicionais para a capacitação digital onde as operadoras se tornam mais prestadoras de serviços do que de comunicações. Por exemplo, cada indústria batalha com o Internet of Things, no sentido de saber o que isso significa e como poderá gerar receitas e valor. A transformação da rede digital permite que as operadoras disponibilizem melhores produtos e serviços, oferecendo e incrementando a sua receita em áreas como análise de padrões de comportamento do consumidor (com dados sobre a utilização e o consume de produtos) que podem ser oferecidos à distribuição, instituições financeiras e outras entidades.

Além disso, as tecnologias digitais como NFV, SDN, entre outras, permitem que as operadoras rapidamente aprovisionem e desaprovisionem ofertas de produtos e serviços numa questão de dias (em vez dos muitos meses que demora nos dias de hoje). Esta é uma melhoria significativa para o modelo de negócio das operadoras de telecomunicações.

O que podemos esperar da sua apresentação no SAS Fórum Portugal 2015?

Na minha apresentação falo sobre o porquê de as empresas precisarem da transformação digital, os benefícios que obtém em termos operacionais, as oportunidades (que abrem portas) e a capacidade de as operadoras se misturarem com outras industrias (saúde, manufactura, banca, retalho, etc.). A mensagem subjacente na minha apresentação é a de que as analíticas avançadas do SAS são uma componente crítica que não só apoia a transformação digital, mas também disponibiliza informações que ajuda as operadoras de telecomunicações a seguir o caminho da transformação e a identificar novas fontes de receita.

Para obter mais informações sobre o SAS Fórum Portugal 2015 e efectuar o registo AQUI.

 

MichaelPawlakMichael Pawlak
Industry Consultant

Michael tem mais de 30 anos de experiência de trabalho em ambientes de operações de serviços, sendo que a maior parte desse tempo foi dentro do setor de comunicações.

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