Descobrir terroristas com analytics

terroristasBanca e seguradoras são a primeira linha de defesa na luta contra o terrorismo.

Sabia que 99% dos casos passam despercebidos às entidades competentes? Que apenas são detectados (e, com isso, contrariados) cerca de 1% dos potenciais casos de terrorismo? Não que as pistas não existam. As autoridades é que não sabem ou não têm os recursos necessários para as analisarem e extrair informação útil.

Mas este é um cenário que pode ser alterado. Não só pela legislação comunitária sobre terrorismo que está prestes a ser anunciada, mas também (e principalmente) pelo recurso a ferramentas analíticas.

Passemos a explicar. Um investigador tem de trabalhar informações como estratos bancários, cartas de condução, passaportes, lista de compras… sem esquecer o comportamento das contas bancárias e a análise do potencial terrorista (numa fase posterior da investigação) nas redes sociais.

Tudo começa com a banca e as seguradoras. Elas são a primeira linha de defesa na luta contra o terrorismo. A afirmação é de Grahame White, director da Analysis International, uma empresa de informação financeira específica e de análise/formação, com uma presença global e uma base de clientes, nos sectores militar, financeiro e de aplicação da lei. Grahame foi durante 30 anos investigador na New Scotland Yard, tendo trabalhado durante 12 anos na National Terrorist Financial Investigation Unit e no Metropolitan and City Police Company Fraud Department. O investigador, que esteve recentemente em Lisboa, a convite do SAS, a falar sobre a importância das analíticas na prevenção do terrorismo referiu que é a banca e as seguradoras que conseguem detectar padrões de alerta e de risco. E que alertam as autoridades competentes.

Mas isto é mais fácil de dizer do que de fazer. Porque obriga, por um lado, a que os bancos ou dêem formação extra aos bancários que estão a atender o público e a trabalhar diariamente com a informação bancária, ou contratem especialistas. O mais provável, no entanto, será a opção por soluções mistas.

A análise dos movimentos de uma conta e respectiva atribuição de risco é algo que pode ser automatizado com alguns sistemas analíticos. Os critérios de análise são definidos pelo banco com o investigador a poder, sempre que necessário, aprofundar a sua pesquisa. Por exemplo, se o sistema emite um alerta para determinado cliente, é possível saber o porquê. E depois, com base na informação obtida avisa-se (ou não) as autoridades.

E pode ser algo aparentemente tão simples como a compra de determinados produtos seguido de um adormecimento da conta. Isto é o suficiente para alertar o investigador de que tem de saber mais. Ou se de repente há um incremento de actividade (replicada) numa determinada área geográfica (em vários dias, a horas diferentes, a mesma operação), isso normalmente, segundo Grahame White, significa que os terroristas já definiram o alvo.

É por isso que é tão importante que as entidades financeiras (bancos e seguradoras) tenham sistemas automatizados e ferramentas de analíticas. É através da análise dos dados (já disponíveis, pelo que não se coloca a questão de invasão de privacidade) e da construção de cenários que se detecta padrões. E quando estes criam sequências… aí é tempo de alertar as autoridades competentes.

Para ajudar quem trabalha nestas duas áreas Grahame White está a trabalhar com o SAS no desenvolvimento do primeiro e único programa de software que cria alertas após a identificação de indicadores de células terroristas na actividade bancária.

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