Empresas portuguesas voltam a investir em TI

Rui Rosa, Business Developer Manager do SAS Portugal

Rui Rosa, Business Developer Manager do SAS Portugal

Vivemos num mundo em acelerada transformação. A tecnologia evolui rapidamente e tudo muda. O nosso quotidiano, o ambiente de negócios, a forma com pensamos. Só para se ter uma ideia há 20 anos não se falava em internet. Não havia smartphones. E a cloud estava apena na mente de alguns, na altura considerados, iluminados.

Mas a multiplicidade de dispositivos e a proliferação de informação também tem o seu lado menos bom. Onde antes havia poucos dados hoje há em excesso. Hoje o desafio é trabalhar toda essa matéria e transformá-la em informação útil aos gestores.

E 2014 poderá ser um ano de mudança para as empresas portuguesas. Os analistas, apoiados pelo estudo da IDC de Março deste ano, indicam que o investimento na área de TI vai voltar a crescer. Isto depois de nos últimos três a quatro anos as empresas terem optado por focalizar os seus esforços nas áreas de redução de custos e optimização de processos assim como em sistemas internos.

Rui Rosa, Business Developer Manager do SAS Portugal refere que a estratégia dos CIOS mudou e estamos perante um novo paradigma. Agora o pretendido é olhar para a componente de investimento e crescimento do negócio. Que vai estar maioritariamente assente na chamada terceira plataforma. A Mobilidade, o Big Data, Analytics, entre outras.

Caso este cenário se concretize, “2014 poderá ser um ano que representa um marco no IT, passando-se definitivamente de uma perspetiva de redução de custos para uma atitude proactiva de investimento em IT em Portugal”, afirma o executivo do SAS, acrescendo que as novidades estão relacionadas com a maior utilização da memória e da capacidade de processamento.  E estas, por sua vez, permitirão a diminuição do custo da memória e a uma maior capacidade de exploração da manipulação de dados por parte do hardware, que passa também a ter a possibilidade de efectuar processamentos em paralelo.

Em última análise estas duas novidades vão alterar a arquitetura e os sistemas aplicacionais actuais, permitindo o aparecimento de novas aplicações e sistemas de suporte à decisão. E, consequentemente, de novas tecnologias. Sendo o Hadoop uma delas.

O Business Analytics conversou com Rui Rosa que nos explicou as transformações que estão as empresas portuguesas estão a atravessar e sobre o papel do Hadoop num cenário futuro.

Business Analytics: Consequências/impacto da mudança no mercado de TI prevista este ano pela IDC?

Rui Rosa: A CIO Agenda 2014 da IDC veio trazer uma novidade importante “A despesa de TI volta a crescer no território nacional”. A acontecer, este facto vem trazer uma mudança importante relativamente aos anos anteriores, onde existiu uma enorme atenção e concentração das empresas nos projetos internos de TI de consolidação de infraestruturas e redução de custos. Num novo ambiente de crescimento da despesa de TI, vamos assistir na minha opinião a duas mudanças importantes: a primeira é que, por via da concentração dos CIO’s na procura de novos projetos de diferenciação e crescimento das empresas, vamos assistir ao início de mais projetos relacionados com a digitalização e automatização de vários processos de negócio, a segunda é que estes projetos não se fazem sem o envolvimento e autonomia das áreas de negócio. O que significa que vamos passar a ter, cada vez mais, as áreas de negócio a dinamizar os projetos de IT de transformação e desenvolvimento da empresa.

B.A.: Mencionou a transformação no papel do hardware. Significa que, depois de ter perdido terreno para o software e para o fenómeno da cloud, vai recuperar importância junto das empresas? Qual o seu papel num mundo em que há cada vez mais dados e necessidade de os processar?

R.R.: O hardware está a ter uma transformação enorme e a incorporar um conjunto de inovações que vão decisivas para ultrapassar os desafios que estamos a enfrentar (por exemplo: processamento em memória e em paralelo). Contudo, esta transformação está a fazer-se no sentido da universalidade e não no sentido da especialização no que respeita aos utilizadores finais. E o que quero dizer com isto é que esta transformação do hardware está a ser feita de uma forma em que os utilizadores (de IT ou negócio) não têm que lidar com a sua complexidade adicional. Por essa razão a resposta à pergunta é não, o meu entendimento é que o hardware não vai recuperar a sua importância, vai cada vez mais tornar-se uma utilidade – “commodity” em que a sua maior disponibilidade e capacidade (de processamento) vai ser “transparente” e assumida como um recurso universalmente disponível para os utilizadores.

B.A.: Com o número crescente de dados e a necessidade de os processar no sentido de ajudar a tomada de decisão isso significa que também terá de haver uma evolução em sistemas como o Business Intelligence e Business Analytics? Em que sentido?

R.R.: Sim, claro, esta evolução vai ser faseada. Em primeiro lugar vamos assistir à evolução dos sistemas operativos para tirarem proveito destas novas tecnologias (por exemplo: processamento em paralelo e em memória). Num segundo passo vamos ver as aplicações de BI a incorporarem estas novas tecnologias, adicionando ainda outras técnicas que vão fazer uma enorme diferença. Por exemplo, é hoje consensual que um sistema de BI para ser utilizado ao nível corporativo deve ter capacidades de: grid-computing, in-database, in-memory, analytics, self-service BI and Visualization etc. Numa última fase vamos assistir a mudanças de processos e metodologias de BI dentro das empresas, para incorporarem estas novas tecnologias. Hoje, por exemplo, também já é consensual que um ambiente de DW corporativo não significa gerir só uma base de dados relacional onde estão armazenados os factos de negócio. Temos de acrescentar a componente analítica que exige outras tecnologias. A utilização de processos OLAP que são agora cada vez mais redundantes com a utilização de tecnologia de processamento in-memory e self-service BI é outro exemplo.

B.A.: Qual o papel do Hadoop neste cenário futuro?

R.R.: O Hadoop é uma tecnologia em grande desenvolvimento e está a entrar em muitos domínios na área do IT e suporte à decisão. Actualmente, nós vemos o seu papel em duas grandes componentes: como uma plataforma de dados que é capaz de processar grandes volumes de dados, estruturados ou não, com um custo e tempo muito reduzido (e isto significa que vai ocupar o espaço de muitas bases de dados que estão hoje em utilização para diferentes processos de suporte à decisão); ou como uma das componentes das aplicações de suporte à decisão das empresas, como por exemplo a plataforma para os processamentos analíticos ou de self-service BI. No que respeita ao futuro é difícil avançar com certezas mas existem factores extremamente interessantes a considerar. Alguns exemplos: como plataforma de open-source existem projetos para complementar o Haddop com as funcionalidades típicas dos sistemas mais evoluídos de suporte à decisão (com gestão centralizada, real time, entre outros). Mas também devemos considerar que o Hadoop, na sua distribuição da Intel (O cloudera) já é incluído pela Gartner no quadrante mágico de sistemas de base dados para suporte à decisão (desde Março de 2014).

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