Empresas reforçam competitividade através de business analytics

Os desafios de hoje são cada vez mais complexos. O mercado expandiu-se para uma dimensão global, a competição é mais aguerrida e o consumidor mais exigente. Isto leva a que as empresas necessitem de informação, útil, em tempo real, para poderem tomar as decisões correctas.

É aqui que entram as ferramentas de business analytics. São elas que permitem transformar a imensidão de dados existentes em informação realmente útil.

“As análises da Gartner indicam que o business analytics está no top de prioridades da agenda dos decisores nas empresas, apoiando a decisão estratégica mas alargando também a utilização da ferramenta aos vários níveis e sectores das organizações, de modo a aumentar a competitividade e a minimizar o risco.”

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31-01-2014 | por Semana Informática | foto Arquivo SI

O apoio à tomada de decisão é cada vez mais estratégico e está a estender-se ao longo da cadeia de valor nas empresas que precisam de informação em tempo real para garantir a competitividade do negócio. O self-service é uma das tendências que se seguem.

Os desafios que as organizações enfrentam são cada vez mais complexos e os CEO já não podem confiar apenas em ferramentas que indicam o “quanto” e o “quando” para tomar as suas decisões, sendo necessário alargar a análise ao “como” e ao “porquê”.

Na área financeira, é preciso analisar os perfis de clientes para extrapolar quais são os bons pagadores de empréstimos e apostar de forma selectiva para minimizar o risco, garantindo o maior retorno. Mas as ferramentas de business analytics têm aplicação em todos os sectores, desde o mercado automóvel – com as empresas a procurar contrariar a quebra de vendas analisando comportamentos e preferências para dar prioridade aos serviços de manutenção pós-venda – ao mercado de telecomunicações – em que os perfis de utilização e cruzamento de venda de serviços são cada vez mais relevantes.

É esta possibilidade de gerir rapidamente uma grande quantidade de dados proveniente de diversas fontes – e de os transformar em informação relevante para as várias áreas de negócio, com modelos de previsão que ajudam a tomar decisões fundamentadas estimando cenários futuros – que está a atrair cada vez mais empresas para a utilização de ferramentas de business analytics.

As análises da Gartner indicam que o business analytics está no top de prioridades da agenda dos decisores nas empresas, apoiando a decisão estratégica mas alargando também a utilização da ferramenta aos vários níveis e sectores das organizações, de modo a aumentar a competitividade e a minimizar o risco.

«As soluções de business analytics são um apoio ao negócio. São imprescindíveis para compreender a actividade da companhia. Desde o relacionamento com os clientes até à cadeia de fornecimento, todas as operações requerem decisões inteligentes que as soluções de business intelligence devem apoiar», defende David Pérezbusiness intelligence presales expert na SAP. A informação analítica deve fazer parte das soluções operacionais e a informação operacional deve ficar disponível em tempo real para uma tomada de decisões inteligente, acrescenta.

Na mesma linha de ideias, Fernando Dias lembra que o que não é medido não pode ser controlado, nem gerido, e é difícil de ser melhorado. O sales consulting senior manager daOracle afirma que «a tecnologia e as ferramentas analíticas que fazem parte da oferta daOracle Business Analytics ajudam as organizações a medir, gerir e melhorar o seu negócio.

Esta oferta permite resolver qualquer problemática analítica, convertendo os dados existentes nas empresas e fora delas em informação útil de suporte ao negócio, com o objectivo de melhorar a gestão e a tomada de decisões estratégicas. Esta geração de informação e de criação de conhecimento traduz-se num impacto directo sobre os resultados do negócio».

A percepção sobre a importância do business analytics torna estas ferramentas centrais nas organizações, substituindo em muitos casos o papel do enterprise resource planning(ERP), embora trabalhem em conjunto com este tipo de software e com as ferramentas de customer relationship management (CRM).

São as ferramentas analíticas que ajudam as empresas a detectar os clientes mais rentáveis, a minimizar os riscos, a revelar novas oportunidades e a decidir em tempo útil e de forma proactiva onde deverão concentrar a sua actividade, de que modo podem optimizar os seus processos e melhorar a sua qualidade de serviço e como podem tirar partido das oportunidades de negócios, para maior criação de valor. A tomada de decisão operacional e estratégica é conjugada com a análise histórica e fiável de modelos analíticos, com o propósito de antecipar alterações aos seus modelos de negócio e de definir a oferta de produtos.

Esta é a lógica que sustenta as soluções do SAS, que desde a década de 70 desenvolve sistemas analíticos, naquilo que hoje é designado por business analytics. «Os nossos clientes usam as ferramentas e soluções de business analytics em todas as áreas funcionais de uma organização.

Para conhecerem melhor o comportamento dos clientes, o que compram e o que comprarão, na optimização e gestão de campanhas de marketing, na rentabilização dos recursos, na determinação do valor de cliente, na prevenção e no combate à fraude e à evasão fiscal, na redução do desperdício, na gestão do risco, na optimização financeira e no custeio e, por fim, em toda a área estruturante da gestão de informação e tecnológica, nomeadamente big data analytics, integração, gestão e qualidade de dados», explica Luís Bettencourt Moniz, director de Marketing do SAS Portugal.

Benefícios bem medidos

Adelaide Leitãobusiness analytics sales leader da IBM Portugal, garante que as empresas portuguesas já têm plena percepção dos benefícios resultantes da utilização de ferramentas de suporte à decisão e isso começa a reflectir-se num retorno crescente do investimento.

«Os nossos gestores estão focados na transformação das suas empresas em organizações mais analíticas. Isso traduz-se no facto de os directores, quer de topo, quer operacionais, começarem a dedicar o seu tempo a decidir com mais rapidez e a encontrar, com relativa facilidade, respostas para gerir melhor o seu negócio. Ou seja, extraírem dos seus dados conhecimento real que suporte as suas decisões e lhes permita alcançar melhores resultados. E fazem-no através de ferramentas de business analytics», salienta a responsável de vendas da IBM para esta área.

O ponto de viragem para esta nova visão, mais analítica e preditiva, é colocado porJoana Afonso na tomada de consciência sobre o valor dos dados que as empresas têm armazenados, o que acontece no momento em que começam a extraí-los para obterem informação estratégica sobre o seu negócio.

«As organizações de média e grande dimensão já olham para estas matérias com atenção e sabem que têm de investir nesta área para conseguirem ter vantagens competitivas em relação aos concorrentes», explica a directora de Marketing e Comunicação da BI4All. No entanto, as empresas mais pequenas, que representam a maioria das organizações, estão ainda tão focadas na gestão da crise, por via das reduções de custos, e na gestão do dia-a-dia que não têm abertura para analisar esses mecanismos.

Apesar da difícil conjuntura económica que as empresas enfrentam, os principais playerscontactados pelo Semana admitiram que se continua a notar um investimento nas ferramentas de business analytics, embora em alguns casos esteja abaixo do registado em anos de menor contenção.

A BI4All e a Timestamp garantem que nos últimos anos têm registado crescimento sustentado na área de BA, suportado no aumento do número de clientes, uma tendência que é acompanhada pela QlikTech.

«Temos projectos em Portugal de pequenas a médias e grandes empresas que arrancaram em 2013. Temos também clientes que adoptaram o QlikView numa área do seu negócio e que o estão a alargar a toda a empresa. O BA está a tornar-se social e natural, quer intra-empresa quer entre empresas, e as ferramentas de natural analytics vão acelerar ainda mais este investimento em 2014», destaca Rodolfo Valeterritory sales managerda QlikTech.

Novas áreas a explorar

A utilização do business analytics acaba por ser transversal aos diversos sectores da economia, dependendo mais da maturidade e da agilidade das empresas do que da área onde se posicionam, mas alguns mercados estão mais avançados devido à sua especificidade do negócio e às exigências de gestão e risco. São os casos da banca, dos seguros, das telecomunicações e do retalho.

O sector de energia é outra das áreas em que o interesse está a crescer, sobretudo na identificação de perdas nos pontos de distribuição, aponta Paulo Mena. O gestor de produto da área de servidores e ferramentas de desenvolvimento na Microsoft Portugalreconhece ainda que no sector de transportes poderia ser feita uma utilização mais alargada destas ferramentas, de forma a optimizar rotas, aumentar os clientes e alterar refeições. O mesmo se aplica «ao nível da administração pública», neste caso, «para garantir uma gestão mais eficaz do orçamento e um controlo mais apertado dos gastos».

A dimensão das empresas é também um factor de diferenciação. A utilização de ferramentas de business analytics continua muito centrada nas organizações de média e grande dimensão, sobretudo pela sua capacidade de investimento e pela sua aposta estratégica em soluções que ajudam a melhorar a competitividade, em vez de se manterem focadas na gestão do dia-a-dia.

Bruno Trigo Alvesdelivery manager na Timestamp, admite que algumas PME acabam por aplicar os princípios do business analytics mas «de forma manual, não-estruturada, e assente em conhecimentos da determinada pessoa em detrimento de tecnologias e metodologias específicas».

Mesmo assim, algumas software houses têm revelado um cuidado especial em adaptar as ferramentas a este mercado, como é o caso da QlikTech, que considera o segmento das PME fundamental.

Também o SAS tem feito uma aposta nesta área. Luís Bettencourt Moniz admite que, desde a entrada do SAS Visual Analytics no mercado, se observou «uma grande apetência nas PME por esta solução all-in-one, que permite, em pouco tempo e de forma rápida, efectuar análises em grandes volumes de dados, sem conhecimento técnico detalhado, e visualizá-las em dispositivos móveis».

A tendência para o self-service

Algumas das principais tendências do mundo da tecnologia têm afectado inevitavelmente a oferta de soluções de business analytics, e o big data, a cloud e a pressão para a mobilidade não são alheias às principais mudanças sentidas nos últimos anos. Mas a velocidade de acesso à informação e a facilidade de exploração dos dados, cada vez mais independentes do departamento de tecnologias de informação, são também palavras-chave na transformação das soluções.

Manuel del Pinomanager pré-venda da Information Builders, acredita que o futuro do business analytics passa pelo alargamento da sua utilização a novas empresas e novos sectores e pelo fomento da integração em tempo real dos diferentes tipos de análises.

A interacção humana e informática é também apontada por Rodolfo Vale como um caminho a seguir, sustentando os desenvolvimentos da QlikTech no âmbito do natural analytics. As barreiras entre tecnologia pessoal e profissional serão esbatidas, assim como a necessidade de um caminho predefinido de análise (BI self-service), que passará a ser tão intuitiva como a mente humana.

No fundo é a simplificação da complexidade que conta. «A IBM disponibiliza ferramentas totalmente gráficas que permitem aos utilizadores finais obterem resultados analíticos diferenciadores para as suas decisões, sem recurso a linguagens de programação ou comandos complexos. Esta capacidade é fundamental para as organizações que queiram ser mais competitivas no futuro, pois é nas decisões tácticas e operacionais que residem os principais diferenciadores. E estas decisões são tomadas em grande quantidade, por todos os tipos de utilizadores das organizações, não sendo exclusivo do departamento de informática ou de utilizadores informáticos avançados», justifica Adelaide Leitão.

 Artigo publicado no Semana Informática, a 31 de Janeiro de 2014. Pode ler o original AQUI.

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