Inteligência Artificial: dar resposta a problemas complexos

Mostrar que é possível responder, de forma simples, problemas complexos. Este foi um dos principais objectivos do “Innovate with Analytics – Making AI Business-Smart”, evento organizado pelo SAS e apresentado na semana passada, em Lisboa. Como? Recorrendo a ferramentas analíticas avançadas e à inteligência artificial.

E nada melhor do que explicar o potencial recorrendo a exemplos concretos. O primeiro foi apresentado pelo novo Executive Director do SAS Portugal, Ricardo Pires Silva. O projecto Paradise Found analisou 57 estudos sobre cidades, 4 serviços de social media, 1.060 serviços de dados internacionais e 3 serviços de geodados online, que resultaram em 69 critérios por localização, em 8 dimensões distintas (segurança e infra-estruturas; educação e carreira; família; natureza; saúde; cultura; custo de vida; e restaurantes e shopping).

Tudo sem intervenção humana e tendo como objectivo encontrar o melhor local no mundo para viver, apresentando os resultados de forma a que qualquer pessoa, independentemente dos seus conhecimentos técnicos possa aceder à informação. Como referiu Ricardo Pires Dias o que se pretende é o democratizar o acesso. Emostrar que é possível usar algoritmos de machine e deep learning, numa abordagem integrada, para resolver um problema analítico (complexo).

Mais do que recolher todos os dados produzidos o grande desafio é o de os conseguir trabalhar e extrair informação útil, de forma a que esta possa ser utilizada por todos. Mesmo os que não têm qualificações técnicas. E isso é transversal a toda a economia e aos vários departamentos de uma organização.

Um exemplo? Mathias Coopmans, Principal Business Solution Manager no SAS, apontou um muito simples: as analíticas podem ser usadas para ANA,usar o comportamento típico dos utilizadores e, com isso, detectar actividades fraudulentas. Imagine que o sistema detecta que algo de invulgar está a acontecer na conta de determinado cliente. A resposta tem de ser imediata. E isso só é possível se a entidade tiver ferramentas capazes de analisar os dados em tempo real, de forma a permitir uma resposta imediata.
Mas a utilização das analíticas vai mais além da relação com o consumidor final. Imagine uma fábrica com várias linhas de montagem. Ou um parque eólico. Agora pense no prejuízo de uma dessas máquinas avariar. Ou, pelo contrário, no benefício que uma organização pode obter se conseguir antecipar essa avaria.

Esta é a vantagem das analíticas. Que vão mais além da “simples” recolha de dados. Aliás, como referiu Antonie Berkel da SciSports, os dados não são equivalentes a conhecimento. Data Intelligence é que é. Veja-se o caso da SciSports. A empresa utilizou dados públicos, disponíveis, para criar um ranking do valor real de cada jogador de futebol. Uma classificação útil não só para os treinadores mas, principalmente, para os clubes, nomeadamente aquando das decisões de compra e venda de atletas.

E este é um ponto importante. A maioria da tecnologia já existe. O factor diferenciador, passa por pensar “fora da caixa” e encontrar novas formas de abordar determinada situação. Nuno Delgado, Senior Consultant, BI & Analytics Solutions, na CGI, explicou a abordagem da sua organização. Mais do que vender tecnologia a ideia é a de apresentar uma solução que responda aos problemas actuais do cliente assim como a oportunidades de negócio detectadas. E deu como exemplo uma ida ao cinema. Uma experiência que pode ser enriquecida quer para o consumidor final quer para a empresa. E com tecnologias já existentes. Imagine que chega ao seu lugar e verifica que este se encontra sujo. A reacção natural e ocupar a cadeira mais próxima e esperar que o verdadeiro “dono” não apareça. Agora imagine que a sala de cinema tem uma aplicação que lhe permite identificar o problema. E que esta, quase de imediato, lhe aufere um outro lugar. Ou que a aplicação lhe permite encomendar umas pipocas e/ou uma bebida com antecedência, de forma a não ter de estar na fila e a conseguir aproveitar, ao máximo e sem estar preocupado com o tempo, o intervalo. Isto é possível. As ferramentas existem. Apenas precisas de ser “configuradas”.

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