O impacto analítico no futuro das organizações

Quando falamos em analíticas, do seu impacto e oportunidades nas organizações, poucos sectores são tão impactados como o sector financeiro (banca e seguradoras). Não só pela quantidade de dados envolvidos, mas também pela inerência do negócio. Mas isto é algo que está a mudar. O tema esteve em debate no painel “O impacto analítico no futuro das organizações e nas oportunidades”, que decorreu no passado dia 29 de Maio, em Lisboa, no SAS Fórum Portugal 2018.

André Simões Cardoso, administrador da Fidelidade, referiu, que, até aqui, as seguradoras utilizavam dados históricos no seu quotidiano. Era a única forma de conseguir fazer, entre outros, a gestão de risco dos seus segurados. Hoje é um pouco diferente na medida em que o desafio é conseguir fazer o mesmo, mas utilizando os dados do presente.

Rui Teixeira, administrador do Millennium bcp referiu que a grande mudança, nas organizações, prende-se com a eliminação dos silos de informação. Hoje o que existem são “data lakes, com informação acessível a todos, independentemente do local e da hora”. Ou seja, os funcionários têm, agora, acesso a analíticas em tempo real, capazes de responder às suas necessidades diárias.

Mas esta alteração nos processos de negócio trouxe um novo desafio, nada fácil de resolver. O da falta de recursos humanos. Para o executivo do Millennium bcp esse é “o” grande desafio. O de encontrar talento e competências. Para Arlindo Oliveira, presidente do Instituto Superior Técnico (IST), os números são assustadores. “Só em Portugal, nas TIC, há cerca de 7.000 posições por preencher”. Trata-se de uma área onde a mobilidade dos recursos impera e onde é difícil combater com os salários mais elevados, oferecidos pelos países do Norte da Europa. Esta situação é, para Arlindo Oliveira, o principal entrave ao desenvolvimento da economia portuguesa.

Por outro lado, convém não esquecer que a adopção das analíticas coloca algumas questões de ética. “Quais as fronteiras que não devem ser ultrapassadas?”, questiona André Simões Cardoso?

Estamos em plena quarta revolução industrial. Esta é a convicção geral. No entanto, alerta Arlindo Oliveira, o seu impacto será tão grande que é algo difícil de prever. Basta olhar pela rapidez e velocidade da adopção de novas tecnologias. Ou o facto de que “nem sempre sabemos o que os sistemas aprendem, o que consiste num desafio interessante”, refere Arlindo Oliveira, que acrescenta “temos de melhorar a nossa compreensão sobre a forma de trabalhar de sistemas como a machine learning”.

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