O problema da produtividade… são as pessoas

D2204-104Numa mistura de português com inglês, num discurso bem-humorado e rápido, cheio de analogias e com exemplos práticos, Nadim Habib, Diretor da Nova School of Business and Economics, subiu ao “palco” do SAS Fórum Portugal 2014, que decorreu em Lisboa, a 7 de Outubro, para explicar os desafios da produtividade.

A maioria dos “entendidos” dizem que o problema de Portugal assenta na sua falta de produtividade. Que se trabalha poucas horas, que não há investimento (mas também não há dinheiro), que a maioria dos recursos humanos ainda não é qualificada…. São inúmeras as explicações para o estado actual do país e a crise instalada. Nadim Habib tem uma opinião diferente. Para este professor o problema está … nas pessoas.

Parece estranho? Não depois de se analisar os exercícios dados. Sem qualquer tipo de explicação Nadim Habib apresentou um slide com os números 1393 / 1691 / 1840 / 2032. E desafiou a assistência a descobrir qual deles se referia à carga horária de trabalho dos portugueses.

Curiosamente Portugal é o segundo país com a menor carga horária (das apresentadas), sendo apenas antecedido pela Alemanha (o Brasil ficou em terceiro lugar e a Grécia é a grande campeã). O problema está no facto de os alemães produzirem 54 dólares por hora enquanto os nossos valores são de apenas 34 dólares. E a explicação está no modelo de negócio/cultura organizacional implementada no nosso país.

Nadim Habib relembrou que os princípios científicos da gestão surgiram em 1911, altura em que a maioria da população era analfabeta ou tinha pouca instrução. O norte-americano Frederick Taylor “inventou” assim as regras que, hoje, (ainda) ditam a estratégia de muitas empresas: uma estrutura piramidal em que as instruções eram ditadas pela liderança e os funcionários da base apenas obedeciam. Basicamente uma estrutura a funcionar com base em regras rígidas.

D2204-114Este tipo de mentalidade teve o seu tempo. Mas não se adequa aos dias de hoje. Actualmente quere-se exactamente o oposto. Organizações com uma estrutura simples e flexível para pessoas complexas e com um elevado grau de conhecimento.

Dito isto… então quais os passos para o sucesso? Como é que uma organização pode ser bem-sucedida nos dias de hoje? Para Nadim Habib há quatro fases a desenvolver se se quer vencer na “batalha da produtividade”. A primeira parece simples: fazer com que todos dentro de uma empresa conheçam a estratégia de negócio da mesma. Não é “vender mais” ou “ter mais clientes” e sim “daqui a dois anos a empresa vai estar/ser XPTO e a estratégia escolhida para atingir esse fim é Z”.

Depois há que ter uma boa gestão. Uma que consiga obter o equilíbrio entre eficiência e eficácia. Que dê liberdade e autonomia aos funcionários para poderem decidir. O que é preferível? Seguir as regras e não ultrapassar os 20 minutos no atendimento ao cliente ou dedicar-lhe horas e horas e sair do encontro com uma encomenda “choruda”? Ou, dito de outra forma, há que “matar a estúpida regra” e escolher entre “doing things right or doing the right things”.

Tudo isto, claro, acompanhado de uma boa (melhor) liderança. Porque, ao contrário do que se pensa, não há falta de talento. Pelo contrário. Há em abundância. Ele é é mal aproveitado. Essa é a convicção de Nadim Habib. Porque não é dada autonomia de decisão ao talento. Mesmo que este esteja nas chamadas funções de base. O que a liderança se esquece é que essas funções as que estão em contacto directo com o cliente. E que podem fazer a diferença entre obter ou perder um contracto/cliente.

E nunca, nunca esquecer a inovação. Que é obtida através do “diálogo organizacional”, ou seja, da observação do comportamento os clientes. Porque dos problemas muitas vezes surgem oportunidades de negócio. Basta estar atento.

Poderá ver a apresentação de Nadim Habib no SAS Fórum Portugal 2014 AQUI.

4 thoughts on “O problema da produtividade… são as pessoas

  1. sou funcionária da saúde á largos anos e por experiência concordo em pleno com a análise deste Senhor
    temos chefias a mais,uns são chefes outros fazem de chefes mas não fazem nada sem os chefes
    depois os protegidos dos chefes que fazem o que querem sem ninguém questionar
    depois o pessoal menor que ou se empenha são excelentes,ou outros que se passeiam até a hora da saída.
    mudam-se as administrações,fazem-se as respectivas alterações,carros secretárias,senhoras administrativas
    mas ninguém nos últimos vinte anos convocou ou pediu a funcionários que com base na experiência sabem onde estão as dificuldades para divulgar a sua opinião,nem sequer há qualquer reconhecimento pelos que dão o seu melhor

  2. As minhas saudações

    Meus caros, o que causa a má produção é nada menos que má gestão, dos poucos recursos que existem:

    Ex: Chefias á mais,uns são chefes outros fazem de chefes mas não fazem nada sem os chefes
    depois os protegidos dos chefes que fazem o que querem sem ninguém questionar.

    Quando não há talento jamais haverá iniciativa…

  3. É impressão minha ou o que ele diz é exatamente o contrario do que está escrito…

    “Curiosamente Portugal é o segundo país com a MENOR carga horária (das apresentadas), sendo apenas antecedido pela Alemanha (o Brasil ficou em terceiro lugar e a Grécia é a grande campeã).”

    Então ele diz que os alemães trabalham menos horas que os portugueses, os brasileiros trabalham ainda mais que nós, e os que trabalham mais horas são os Gregos…

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