Quem são os Data Scientists Portugueses?
(I) Carla Tempera

Data Scientist – a profissão mais sexy do séc. XXI
Decidimos ir falar com alguns prestigiados Data Scientists Portugueses para saber o que pensam deste “rótulo” que lhes deram e para perceber, exactamente, o que é um Data Scientist?
Esta é a primeira de várias entrevistas a Data Scientists Portugueses.

Nome: Carla TemperaCarlaTempera1
Nacionalidade: Portuguesa
Signo: Capricórnio
Hobby: Diários gráficos (aguarelas) e corrida
Livro na cabeceira: “Dime quién soy”, da jornalista espanhola Julia Navarro. É um romance histórico muito interessante, que começa durante a Segunda República Espanhola, atravessa a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria, e vai até à queda do Muro de Berlim.
A tocar no iPod: Muse
Profissão: Data Scientist no Barclays

Como se sente ao ouvir que a sua profissão é a mais sexy deste século?
Vaidosa. Quem é que não quer ter a profissão mais sexy deste século?
A definição sobre o que é um data scientist não é totalmente consensual, mas é uma designação muito popular nos dias de hoje. O carácter mais atractivo que lhe é atribuído resulta do reconhecimento e respeito pelo valor que pessoas com um determinado conjunto de características trazem para as empresas.

Para si, o que é exactamente um Data Scientist? Como descrever a sua função e o seu dia-a-dia?
É alguém com elevadas competências analíticas e a curiosidade suficiente para descobrir factos especialmente relevantes a partir de grandes quantidades de dados. O conceito de data scientist associa à vertente de analista, a capacidade para comunicar e ter excelentes conhecimentos de negócio. Não basta saber trabalhar um determinado conjunto de dados, fazer uma análise ultra-sofisticada, tirar excelentes conclusões, se depois, não conseguir traduzir a mensagem e explicá-la de forma a ser entendida por todos e, em particular, por quem tem poderes de decisão. Tem de saber fazer a ponte entre os dados e os decisores. É certamente um conselheiro de confiança destes, pela particularidade de gerar ideias para novos produtos e acrescentar valor aos serviços.
Diariamente enfrento todo o tipo de situações. Tal como muitos colegas, quer seja da empresa onde trabalho, ou de outras empresas, enfrentamos desafios enormes durante a fase de pré-processamento dos dados, o que nos consome muito mais tempo do que gostaríamos, e que nos deixa menos tempo para aquilo que mais nos motiva, que são as análises mais sofisticadas a nível de optimização e previsão. Mas tenho tido a sorte de estar envolvida em projectos que acrescentam valor e que contribuem de forma positiva para o negócio e isso, obviamente, deixa-me muito satisfeita.

Acredita que é um papel que terá cada vez mais destaque nas empresas? Porquê?
Sem dúvida. Cada vez mais as empresas deparam-se com significativos volumes de dados, bem como distintos tipos e fontes de informação. É necessário dar forma e criar uma estrutura a esses dados para que, posteriormente, se possa aprender com os mesmos e seja possível interpretá-los. Só depois de se criar uma estrutura organizada de dados, é possível concretizar qualquer análise. E, para isso, não basta dispor de software especializado; são necessárias pessoas com as competências e o mind-set apropriados para dar bom uso a essa informação. O mercado é muito competitivo, as suas variáveis mudam muito depressa, tornando os desafios constantes, e os data scientists ajudam a “conversar” com os dados de forma a definir estratégias e auxiliar todas as tomadas de decisão relativamente à área de negócio em que estão inseridos.

Quais os skills essenciais para se tornar num Data Scientist?
As características mais óbvias são as de ter um pensamento analítico muito apurado e ser uma pessoa curiosa e atenta aos detalhes. Com uma grande capacidade para estruturar problemas, construir hipóteses e testá-las. É, portanto, fundamental que tenha uma forte formação em Matemática, Estatística e Ciências da Computação. Deve ser persistente e conhecer suficientemente bem o sector onde trabalha, porque nunca pode perder a noção do impacto que o seu trabalho tem na empresa e nas implicações das suas recomendações. Deve também saber comunicar, mas sobretudo ter a sensibilidade para saber ouvir. Mas acho que a cereja no topo do bolo é ter a ousadia de pensar de forma diferente e mostrar alguma criatividade na abordagem que dá aos problemas com que se depara.

Que conselhos daria a jovens universitários que tenham como ambição ser Data Scientists?
Tentem aproveitar ao máximo a oportunidade que têm para aprender todo o tipo de conceitos, teorias, técnicas de modelação, algoritmos, etc. Quanto mais vasto e diversificado for esse conhecimento, mais ferramentas e alternativas terão para poder resolver os problemas reais. A vida universitária é a altura ideal para explorar, crescer e desenvolver o raciocínio o mais possível. Isso também deve ser complementado com a participação em conferências, grupos de discussão dos temas que mais lhes interessem, leitura de artigos, livros, conversas com docentes que os ponham a pensar… Quando começamos a trabalhar, o conhecimento que demonstramos relativamente a todas as peças, associado ao conhecimento das técnicas adequadas aos desafios, permite-nos juntá-las e completar o puzzle mais depressa e de forma mais sólida e eficaz. Acredito que seja mais vantajoso ter uma visão macro de tudo e, só mais tarde, especializar-nos num tema que mais nos interesse. Por exemplo, durante o meu percurso, comecei com uma licenciatura em Matemática e posteriormente dediquei-me às Séries Temporais, uma área muito específica do ramo da Estatística, onde me apaixonei pelas séries financeiras e por todos o tipo de técnicas para as modelar e prever o seu comportamento.Carla Tempera

Para finalizar, quando era pequenina que queria ser?
Quando era bem novinha, e depois de passar por uma fase em que queria ser detective ou ajudante do MacGyver, passei muito tempo com o desejo de vir a ser jornalista de desporto. Mas depois, a minha imparcialidade Benfiquista, direccionou-me para outro caminho.

 

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