Ser proactivo. Antecipar a fraude

fraude aduaneiraRelatório da Capgemini, “Entreprise Fraud Management: How Banks Need to Adapt” revela o crescimento do cibercrime e as consequências para as instituições financeiras. A fraude está a aumentar e a banca tem de assumir uma abordagem proactiva ao tema.

A era digital trouxe mais do que apenas vantagens. Um dos significados mais “negros” da grande adesão, por parte de empresas e consumidor final, foi o aumento do crime financeiro, nomeadamente a fraude.

Se uma organização “normal” perde em média cerca de 5% das suas receitas o valor sobe substancialmente quando a vítima é uma instituição bancária/financeira. Um estudo da Capgemini revela que o advento da economia digital (e do cibercrime) criou novas vulnerabilidades, nomeadamente para a banca. Só para se ter uma ideia, a fraude bancária online aumentou 12%. Apenas num ano e na Europa. Quem o diz é o estudo “Annual Fraud Indicator 2013” da National Fraud Authority.

Mas este é um cenário que se repete em todo o globo. Nos Estados Unidos da América, e segundo números do Federal Deposit Insurance Corporation, os ciberciminosos “roubaram”, ou se preferirem, custaram às organizações norte-americanas mais de 15 mil milhões de dólares num espaço de cinco anos. O Reino Unido, por exemplo, e apenas nos primeiros seis meses de 2014, registou uma perda de 35,9 milhões de libras em fraude bancária online. Valor que representa um aumento de 59% face ao período homólogo de 2013. Se analisarmos os números da fraude bancária online os resultados são ainda mais assustadores: crescimento de 71%, atingindo os 29,3 milhões de libras.

E isto é apenas aquilo que se sabe, que é contável. Porque o problema da fraude online é que há custos escondidos. A perda de produtividade, da confiança do cliente e até mesmos os danos que passam despercebidos. Caso o “ataque” tenha como alvo os sistemas operativos e infraestruturas – como por exemplo negócio electrónico – o resultado final pode implicar perdas directas de negócio/receitas.

Por outro lado, um ataque ao sistema de comunicação pode implicar o acesso a dados críticos do negócio e até dos clientes. O que, em última análise, e em casos extremos, pode levar a pedidos de indeminização.

Mas não são apenas os ciber-criminosos que estão a pressionar as entidades financeiras. O regulador também o está a fazer ao aumentar o nível de exigência. A Comissão Europeia, por exemplo, emitiu um documento com inúmeras directivas sobre a segurança dos pagamentos através da internet.

E como é que se previne todas estas situações? A verdade é que não há uma solução única. Mesmo porque o crescimento do negócio, com o consequente aumento do portfólio e linhas de negócio, através de inúmeros canais de distribuição, dificulta a detecção da fraude. A opção tem sido adquirir soluções para tipos específicos de crime. Mas isto é algo que, a determinado momento, fica incomportável.

Por outro lado, as entidades têm seguido mais uma estratégia de reacção do que de antecipação. O problema, como refere o relatório da Capgemini, é que os fraudadores têm um nível de sofisticação (e em crescendo) que torna ineficaz os sistemas de detecção utilizados pelas instituições. Estas têm que atingir o ponto de equilíbrio entre identificação da fraude e prevenção de perdas com a satisfação do cliente.

Para muitas instituições a adopção de novos sistemas de gestão da fraude é algo vital para o negócio. O descurar desta área (dar-lhe a devida atenção) acarreta riscos financeiros, de reputação e inclusivamente punitivos.

A banca tem de se adaptar a uma nova era e conseguir ser mais rápida do que os fraudadores. E isso para seguir uma estratégia proactiva de identificação, prevenção e reacção a situações de fraude. Isto é algo extremamente importante porque esta mudança de perspectiva de negócio não só evita perdas de receitas mas também garante a reputação da entidade/marca.

5 Tendências na gestão da fraude

  1. Abordagem centralizada no combate ao crime financeiro – Adopção de soluções que abordem o maior número de crimes financeiros, da cibersegurança, passando pela fraude até ao branqueamento de capitais.
  2. Monitorização e utilização de dados em tempo real – Recurso a dados externos, capazes de complementar as bases de dados internas, como forma de incrementar as capacidades de detecção de fraude.
  3. Utilização de técnicas analíticas avançadas – As novas soluções incorporação técnicas analíticas avançadas com o objectivo de detectar relações escondidas, padrões de comportamento, priorizar casos suspeitos e prever potenciais riscos.
  4. Nova geração de autentificação – Recurso a novos meios de autentificação, por exemplo, biométricos, recorrendo a tecnologia móvel.
  5. Antecipação de novos riscos de fraude – As soluções de gestão de fraude têm, obrigatoriamente, de incluir abordagem proactivas de detecção de fraude como forma de antecipar potenciais problemas.

Para saber mais sobre o tema leia o relatório “Entreprise Fraud Management: How Banks Need to Adapt“.

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