Sorria, está a ser avaliado!

surveillance-camera-241725_1280Estamos, gradualmente, a acostumar-nos à ideia de que os nossos dados estão a ser analisados sempre que vamos ao banco para solicitar um novo empréstimo ou sempre que tentamos comprar um produto mais caro, como um carro. Mas a verdade é que somos avaliados mais vezes do que apenas quando somos nós a tomar a iniciativa.

Creio que cada pessoa é avaliada pelo menos três vezes ao dia. Pense nos seguintes exemplos. É avaliado no scorecard comportamental no seu banco para que este possa prever se vai entrar (ou não) em default, nos próximos 12 meses, em cada um dos seus créditos. É avaliado pelo seu operador de telecomunicações para que este consiga prever se o vai abandonar nos próximos três meses. E, é claro, está a ser avaliado pela empresa de cartões de crédito de cada vez que usa o seu cartão.

Análise das redes sociais

Todos os exemplos acima mencionados ilustram, de forma perfeita, o poder da regressão logística e as inúmeras aplicações do quotidiano. Muitas empresas usam, de forma contínua, as analíticas e o big data como ferramentas de monitorização do comportamento para prever, com precisão, comportamentos futuros e para modificar a sua abordagem, no bom sentido.

Também podem ser usadas para executar a chamada análise das redes sociais. Estas, neste contexto, não são constituídas apenas por plataformas sociais como o Facebook, o Twitter ou o Linkedin. Deve antes pensar-se que todas as redes estão conectadas de uma determinada forma. Num ambiente de telecomunicações esta rede seria constituída pelos clientes a servir de nós e as ligações telefónicas como cantos. No sector bancário os nós seriam as contas bancárias e os cantos as transferências monetárias. Representá-los como uma rede social pode contribuir, de forma significativa, respectivamente, para a previsão do churn e detecção de fraudes.

Grandes oportunidades e grandes desafios

No entanto, e como o famoso filósofo Spiderman disso uma vez: “grande poder traz grande responsabilidade”. Se somos capazes de saber tanto sobre as pessoas com as quais fazemos negócio, também deveremos estar conscientes das consequências, como por exemplo, o impacto na privacidade. Esta é uma grande preocupação para as organizações: nalguns casos é necessário cumprir as regulamentações locais, e, noutros satisfazer as restrições específicas do sector. Além disso, quer agir como um parceiro confiável e sustentável dentro do seu ecossistema. Mas essa é uma preocupação mais para os consumidores e indivíduos. Especialmente a geração mais nova que parece estar pouco preocupada com os desafios e os perigos relacionados com o big data. Muitos candidatos são completamente surpreendidos quando se apercebem sobre o quanto o seu futuro empregador pode descobrir sobre eles. Bastando para tal verificar todas as informações disponíveis publicamente. O big data significa: muitas oportunidades, mas também: muitos desafios, dos quais todo o mundo deveria estar ciente.

baesens_bart_smallBart Baesens
Professor de Big Data e Analytics

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