Telemática irá permitir seguros personalizados

telemáticaCombinação de ferramentas tecnológicas (telemática, big data e analytics) irá revolucionar o mercado dos seguros automóvel. O envio, automático, de dados como a distância percorrida e o comportamento do condutor, permitirá a criação de planos mais precisos, ajustados a cada cliente.

Há áreas de negócio onde não é frequente assistirmos à inovação. Um exemplo? O negócio dos seguros, nomeadamente o automóvel. Pelo menos até agora. Porque há estudos que indicam que isso está a mudar.
Como? Através do uso da telemática.

Segundo o dicionário, a telemática é a comunicação à distância de um ou mais conjuntos de serviços informáticos disponibilizados através de uma rede de telecomunicações. Isto numa definição simplista.

No caso específico da telemática utilizada nos seguros automóveis, esta reside na utilização de dispositivos wireless que recolhem e transmitem dados em tempo real. Estes são depois utilizados para definir tabelas de preços mais adequadas, melhorar a granularidade das técnicas de gestão de risco e, ainda, reduzir as perdas, através de uma melhor avaliação dos sinistros.

Mas para conseguir isso há que vencer um desafio: como gerir a explosão de dados que se antevê?
O certo é que já se antevêem dois tipos de produtos relacionados com o seguro automóvel e a telemática: Pay-as-you-drive (PAYD) e Pay-how-you-drive (PHYD). Ambas têm por base a criação de políticas de auto reporte que são calculadas com base na distância percorrida e reportada pelo segurado.

A solução Pay-as-you-drive (PAYD) é a mais simples de todas. Basta instalar um GPS no veículo e depois definir o valor tendo por base os quilómetros percorridos – a informação é transmitida automaticamente para a seguradora.
A segunda solução – Pay-how-you-drive (PHYD) – é mais sofisticada. Aqui o GPS (integrado com acelerómetros) regista outro tipo de dados. Além dos quilómetros percorridos, disponibiliza também outro tipo de dados, como a data, hora, localização, velocidade, e o tipo de condução realizada. Isto não só permite estabelecer um valor personalizado, tendo em conta o perfil de condutor, como permite que a aplicação disponibilize dicas e conselhos para um melhor comportamento na estrada.

Para quem pensa que isto é uma ideia futurista, que ainda está apenas na mente de “iluminados”, saiba que em 2012, e segundo dados disponibilizados pela Progressive Insurance (a primeira seguradora a apresentar produtos telemáticos – 1998), as receitas premium derivadas deste tipo de produtos ultrapassaram os mil milhões de dólares. E as previsões apontam para que, em 2020, mais de 25% das receitas premium de seguros auto no mercado norte-americano (e geradas por produtos telemáticos) ultrapasse a fasquia dos 30 mil milhões de dólares.

A Europa irá acompanhar a tendência – acredita-se que o mercado telemático irá gerar mais de 50 mil milhões de euros em receitas (em 2020). O facto de em 2011 existirem mais de 1 milhão de clientes a utilizarem produtos criados com esta tecnologia é um bom indicador. Segundo o e-book “Telematics: How Big Data is Transformimg the Auto Insurance Industrya maioria desses clientes está concentrada em Itália, França, Espanha e Reino Unido.

Com os Estados Unidos e a Europa a aderir em pleno à telemática, os especialistas acreditam que a tecnologia rapidamente se expandirá para outros mercados, como o Canadá, Ásia/Pacífico, África do Sul e América Latina.

Mas, antes de se conseguir avançar e aproveitar todo o potencial desta tecnologia, as seguradoras vão ter de enfrentar um grande desafio: como gerir a enorme quantidade de dados que a mesma gere?
Dificuldade que é agravada (ainda mais) pelos inúmeros dispositivos telemáticos, a disponibilizar diferentes formatos de dados. Para se ter uma (pequena) noção da quantidade de dados… basta considerar que os equipamentos vão gerar dados a cada segundo. Isto significa 86,400 dados gerados num único dia, num único equipamento. Dependendo da frequência e distância das viagens as gravações podem ir de 5MB a 15MB por cliente/ano. Uma seguradora, com uma base de clientes a rondar os 100 mil veículos, terá de gerir e armazenar mais de 1 Terabyte de dados por ano.

Ultrapassada a questão do armazenamento e de como lidar com diferentes tipos de formatos de dados… prende-se uma outra questão. A quem pertencem os dados recolhidos? O e-book levanta algumas questões pertinentes (ainda em debate): se um segurado quiser mudar de seguradora poderá “levar” consigo os seus dados? A longo prazo existirão standards para os dados telemáticos?

Tendo em conta os desafios que se antevêem ao sector segurador o SAS aconselha que se implemente uma estratégia corporativa de gestão de dados. Esta assenta em quatro componentes chave:

  • Integração de dados – permite melhorar o fluxo da informação telemática através da organização.
  • Qualidade dos dados – assegura a integridade e excelência da informação através da gestão do ciclo de vida qualidade dos dados.
  • Acesso aos dados corporativos – gere os acessos e a utilização dos dados através da organização.
  • Gestão dos dados master – cria uma visão única, precisa e unificada de todos os dados telemáticos.

Mas só isto não chega. Tendo em conta o negócio segurador há, também, que fazer a gestão do risco. É certo que os dados telemáticos vão ajudar as seguradoras a serem mais precisas na definição do risco dos seus segurados. Algo que só será possível através da combinação de várias ferramentas, nomeadamente o Big Data e a Análise de Dados. Com isso as seguradoras conseguirão priorizar e categorizar as centenas de novas variáveis geradas pelos dados telemáticos, permitindo o estabelecimento de modelos de preço mais precisos.

Na prática as seguradoras poderão, em última análise, ter um preço diferente para cada cliente, tendo por base o comportamento individual de condução. Isto significa, por um lado, clientes mais satisfeitos, mas também uma maior segurança na estrada – há um maior incentivo para praticar uma condução mais segura.

Pode descarregar o e-book gratuito “Telematics: How Big Data is Transformimg the Auto Insurance Industry” para saber mais sobre este assunto.

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